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Mercado de criptomoedas no caminho para se tornar “novo cigarro” da Fórmula 1

Corretoras de criptomoedas, NFTs e blockchains passaram a figurar na lista de patrocinadores oficiais das escuderias e da própria F1

por Cintia Miyuki

10 de maio de 2022 13:45Atualizado em: 16 de maio de 2022 12:12
Mercado de criptomoedas no caminho para se tornar “novo cigarro” da Fórmula 1

O mercado de criptomoedas abriu seus olhos - e as carteiras - para a Fórmula 1. Em 2022, das dez escuderias que participam do campeonato mundial, oito são patrocinadas por alguma empresa do universo de criptomoedas, blockchains ou NFTs (Tokens Não-Fungíveis). Algumas equipes, como a Red Bull Racing, fecharam acordos com mais de uma marca do ramo nesta temporada, em uma tentativa, por parte dessas empresas, de capturar o crescente público jovem do esporte. 

O automobilismo é uma categoria de esportes onde o dinheiro é essencial para garantir a construção de carros mais desenvolvidos e capazes de levar pilotos e montadoras à melhores posições na competição. E a Fórmula 1 está se mostrando um negócio cada vez mais lucrativo, atraindo mais patrocinadores, inclusive de criptomoedas. 

Em 2021, a receita da Fórmula 1 totalizou US$ 2,14 bilhões, um aumento de 87% em relação ao ano anterior. A receita cresce graças ao aumento da audiência. A final da temporada do ano passado, o Grande Prêmio de Abu Dhabi, que fez de Max Verstappen o campeão mundial, foi assistida por 108,7 milhões de pessoas, um aumento de 29% em relação à última corrida da temporada de 2020.

Segundo a assessoria da Bybit, plataforma que patrocina a Red Bull Racing, a popularidade do esporte tem crescido em escala mundial, e está no caminho para atingir a marca de um bilhão de fãs em todo o mundo em 2022. De acordo com a corretora de criptomoedas, a parceria com a escuderia é uma tentativa de atingir este público.
 

Cripto: o “novo cigarro” da Fórmula 1

Dessa forma, o mercado de criptoativos tem movimentado o mundo da Fórmula 1 desde 2021, sendo visto, inclusive, como o "novo cigarro" dentre os patrocinadores. Isso porque a modalidade captou mais de US$ 4,4 bilhão em patrocínio de marcas de cigarro nas últimas sete décadas. Em 1988, todas as 18 escuderias que tentaram se qualificar contavam com dinheiro da indústria do tabaco. 

No entanto, em 2001, a Fédération Internationale de l’Automobile (FIA) anunciou que encerraria todos os patrocínios de marcas de cigarro até a temporada de 2005. Essa movimentação ocorreu após a Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS) estabelecer um tratado internacional contra o tabagismo. Agora, a Fórmula 1 vê algo parecido com o que ocorreu com marcas de cigarro nos anos 80, mas com criptomoedas e blockchains, ainda que de forma mais modesta.

Talvez não tão modesta assim. No início deste ano, a Red Bull Racing anunciou uma parceria milionária com a Bybit. O negócio foi de US$ 150 milhões, o maior já visto envolvendo o mercado cripto e esportes no mundo todo. Para o BP Money, a Bybit afirmou que vê o patrocínio em esporte como uma parte essencial de sua estratégia de marketing global, visando “construir reconhecimento de marca em mercados estratégicos”. 

Em fevereiro deste ano, a Crypto.com fechou o naming rights do Grande Prêmio de Miami, que carregará o nome “Fórmula 1 Crypto.com Miami Grand Prix” pelos próximos nove anos. Em 2021, a plataforma de negociação de criptomoedas já havia se tornado parceira global da Fórmula 1 em um contrato estimado em US$ 100 milhões.
 

Fórmula 1 e criptomoedas, um mercado comum

Em 2022, apenas duas equipes não possuem algum nome ligado ao mercado cripto em sua lista de patrocinadores: Williams e Haas. Isso porque o mercado encontrou na modalidade uma forma de atrair novos investidores. 

Não à toa, os compradores de criptomoedas e os torcedores de Fórmula 1 possuem algumas similaridades. De acordo com um estudo da Stilt publicado em abril deste ano, 94% dos compradores de criptomoedas possuem entre 18 e 40 anos. Os dados mostram que existe uma correlação entre idade e a probabilidade de comprar cripto ativos: quanto mais velho, menos chance de se aventurar no mercado. 

Já os dados recentes do Global Survey mostraram que a idade média do telespectador de Fórmula 1 vem caindo. Em 2021, foi de 32 anos, quatro a menos do que o registrado no ano anterior. A Bybit aponta que a maior parte das pessoas que acompanham a modalidade se encontram na faixa dos 16 aos 35 anos.

De acordo com dados da própria Fórmula 1, em 2021, a modalidade apresentou o maior crescimento em redes sociais dentre as principais categorias esportivas no mundo. No ano passado, o número de seguidores nas plataformas (que inclui Facebook, Twitter, Instagram, TikTok, entre outros) teve aumento de 40% e o engajamento subiu 74% no período. Os dados indicam que a Fórmula 1 é o esporte que mais avança nas plataformas digitais. 

Não é novidade que a indústria cripto e tecnologias blockchain possuem uma estreita relação com as redes sociais. A popularização dos cripto ativos é muito atribuída às redes. O que é dito sobre as criptomoedas nas mídias sociais pode impactar flutuações nos preços, como o que ocorreu com o Bitcoin, que disparou após a Tesla anunciar que passaria a aceitar a criptomoeda em troca de seus produtos.

Em entrevista ao BP Money, Gustavo Gregório, investor relations da QR Asset, afirma que as criptomoedas e NFTs dependem de uma comunidade que alimente este mercado continuamente, que procure por soluções e novas propostas. “Projetos de maior sucesso possuem uma comunidade criada em volta daquilo, que faz com que as pessoas acreditem que vai seguir melhorando e as incentiva a comprar e engajar”, diz ele. 
 

O efeito “Drive to Survive”

Os números impactantes da Fórmula 1 chegaram a esta magnitude, em grande parte, graças à série documental da Netflix “Drive to Survive”. A série foi lançada em 2019 e possui quatro temporadas, que mostram os principais momentos e os bastidores da modalidade, ano a ano.

O impacto de “Drive to Survive” é sentido principalmente nos EUA, país onde, historicamente, a Fórmula 1 não conseguiu atingir a mesma popularidade que a Nascar. Mesmo sem um piloto norte-americano competindo, a audiência local aumentou 58% em 2021. E, segundo pesquisa do Morning Consult, quase 75% dos torcedores com até 45 anos atribuíram o interesse pelo esporte à série da Netflix.

No ano passado, a Fórmula 1 reportou que os EUA se tornaram seu mercado mais lucrativo na venda de produtos oficiais. Mas não é só a categoria que se beneficia da exposição causada pela série. Gregório acredita que “Drive to Survive” torna o patrocínio no esporte mais rentável. “Hoje você patrocina a temporada e tudo o que isso traz, mas também a pós-temporada, porque sua marca aparece ali, na tela da Netflx”, diz ele. 

Ele cita o caso da Fantom, patrocinadora da AlphaTauri. Em todos os takes que mostram Pierre Gasly e Yuki Tsunoda dentro de seus carros, é possível ver o nome da blockchain. Através das parcerias, muitas das marcas aparecem em posições estratégicas nos carros, capacetes e macacões dos pilotos, direto da tela para os milhões de torcedores.
 

O futuro do mercado de NFTs e a Fórmula 1

Para Gregório, o investimento de plataformas do mercado cripto em outros setores é uma forma de construir um nome com este público e, eventualmente, criar produtos que sejam benéficos ao mercado de criptoativos. 

“As marcas não estão apenas procurando patrocinar equipes e competições, estão tentando se consolidar nestes espaços”, conta. Gregório acredita que as parcerias entre o mercado e a Fórmula 1 possam evoluir para algo que impacte a vida dos fãs e os incentive a investir no setor. 

Nesse sentido, como parte da parceria entre a Crypto.com e a Fórmula 1, a plataforma anunciou o lançamento de NFTs inéditos para o GP de Miami. Para a série de NFTs, dados da corrida foram misturados com sensores colocados ao longo da pista para criar uma arte única.  

Em relação aos NFTs, a Bybit declarou que será o mercado exclusivo de NFTs da Red Bull Racing e de emissão de tokens para os torcedores da equipe até o ano que vem. A plataforma de negociação de criptomoedas também afirmou estar “trabalhando em conjunto com a Oracle Red Bull Racing em iniciativas focadas em promover mudanças positivas no mundo através da sustentabilidade, diversidade, STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e educação”.

Segundo Gregório, os NFTs não precisam ser apenas imagens inéditas, é possível criar tokens com benefícios para os torcedores. Ele conta que seria possível, por exemplo, lançar NFTs em quantidades limitadas que permitam que que fãs tenham acesso a conteúdos exclusivos, como vídeos, descontos ou eventos paralelos. 

E estas ações não precisam ficar restritas ao digital, pois atualmente “existem tecnologias que podem escanear presencialmente uma carteira e mostrar que o indivíduo possui um NFT emitido por um criador específico”, explica Gregório. Isso abre um universo de possibilidades para as marcas e as equipes inovarem e encontrarem formas de estar em contato com os torcedores. 
 

Escuderias e patrocínios do mercado cripto

Mercedes - A atual campeã mundial da competição de construtores fechou uma parceria com a FTX, bolsa de criptomoedas das Bahamas. A marca está estampada nos macacões e carros de Lewis Hamilton e George Russell, além de marcar presença nos motorhomes, garagens e em todo o serviço de hospitalidade de pista da Mercedes. A Mercedes e a FTX também estão lançando iniciativas em conjunto, como séries de NFTs (Tokens Não-Fungíveis). 

Red Bull Racing - A escuderia do atual campeão conta com três empresas ligadas ao universo de cripto ativos em sua carteira de patrocinadores. A parceria com a Tezos garantiu o lançamento de NFTs em sua blockchain para os fãs da equipe. O aplicativo de investimentos CashApp também aparece nos carros e macacões de Verstappen e Checo Perez. E, no começo deste ano, a Red Bull anunciou uma parceria de três anos com a Bybit. 

Ferrari - A equipe mais tradicional do paddock conta com a Velas Network como um de seus principais patrocinadores em 2022. A Velas é uma fornecedora de tecnologia de blockchain e NFTs com sede na Suíça.  

Alfa Romeo - O novo time de Valtteri Bottas fechou uma parceria com a Floki, criptomoeda baseada no Ethereum. A Floki foi criada após Elon Musk postar um tweet falando que daria o nome de seu cachorro de Floki. A marca estampa as asas traseiras dos carros de Bottas e Zhou Guanyu.

Aston Martin - A equipe de Lance Stroll e Sebastian Vettel anunciou em março de 2021 uma parceria com a Crypto.com, tornando-se uma das pioneiras entre as escuderias a contar com uma blockchain como patrocinadora oficial. 

Alpine - Já a Alpine fechou um acordo com a Binance, a maior bolsa de criptomoedas do mundo em volume informado. Com a parceria, a Alpine se tornou a primeira escuderia de Fórmula 1 a fazer parte da plataforma Fan Token da Binance. O token, que permite que os fãs participem de enquetes de votação, comprem colecionáveis digitais e NFTs e aproveitem recursos de gamificação, disparou 1.800% após listagem na Binance. 

AlphaTauri - A Fantom, blockchain de contratos inteligentes, decidiu apostar na AlphaTauri, escuderia irmã da Red Bull. O logo da blockchain aparece em duas partes do carro da equipe, além de ser exibida nos capacetes e bonés dos pilotos.

McLaren - A britânica McLaren também conta com a Tezos como um de seus principais patrocinadores. A plataforma cripto fechou uma parceria com a montadora que pode durar vários anos. Com o acordo, a Tezos deve criar NFTs com as equipes de Fórmula 1, Indycar e eSports da McLaren.