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Negócios

Zak, startup de food service, demite cerca de 100 pessoas por "questões financeiras"

A empresa é a quinta do setor a promover demissões em massa nos últimos 30 dias

Beatriz Pacheco

por Beatriz Pacheco

16 de maio de 2022 16:37Atualizado em: 31 de maio de 2022 11:26
Zak, startup de food service, demite cerca de 100 pessoas por "questões financeiras"
Reprodução/Zak

A Zak, startup paulistana de gestão de restaurantes, demitiu 40% do seu quadro de funcionários na última sexta-feira (13). A empresa não confirma o número, mas informações no mercado dão conta que os desligamentos afetaram cerca de 100 pessoas. A notícia torna a Zak a quinta de uma lista de startups brasileiras - incluindo QuintoAndar, Loft e Facily -  que promoveram cortes em massa nos últimos 30 dias motivadas pela reestruturação de suas operações.

Uma planilha com nomes de ex-trabalhadores da Zak que começou a circular nesta segunda-feira (16) nas redes sociais somava 70 nomes até a parte da tarde. De acordo com o documento, as áreas mais afetadas foram as da divisão comercial e de marketing, mas as equipes de produtos e de tecnologia também tiveram baixas. 

Ao jornal “O Estado de S.Paulo”, a startup confirmou que as demissões estão ligadas a uma reorganização, motivada por questões financeiras. Em nota, a Zak declarou ter se adaptado e que precisaria reduzir o time para seguir com a operação. “Estamos comprometidos a apoiar todos os colaboradores afetados e reiteramos que esta decisão foi tomada com extremo cuidado e ponderação, e como último recurso", disse a empresa.

A startup foi criada em 2018 com um modelo de negócio baseado em serviços de gestão para o setor de restaurantes. A proposta da Zak é cuidar de toda a parte administrativa dos seus clientes, o que inclui gerenciamento do caixa, otimização das operações e desenvolvimento da agenda de digitalização. Tem no portfólio grandes redes da capital paulista, como o restaurante Ráscal e a hamburgueria Z.Deli.

Demissões em massa acontecem seis meses após aporte de US$ 15 milhões 

Em novembro do ano passado, a Zak levantou US$ 15 milhões em rodada de investimento liderada pelo fundo norte-americano Tiger Global. A gestora, que esteve envolvida nos aportes que ajudaram a levantar os principais unicórnios na América Latina, como Nubank, QuintoAndar e MadeiraMadeira, teve um prejuízo estimado de US$ 17 bilhões no primeiro trimestre deste ano, segundo a consultoria britânica LCH Investiments.

Somente em 2021, a Tiger Global participou de 24 rodadas de investimentos em startups na América Latina, segundo dados da plataforma Crunchbase. A gestora, uma das maiores do mundo no mercado de venture capital, é focada em startups maduras, tendo participado principalmente de séries A e B e de rodadas avançadas. No total, a região recebeu US$ 19,5 bilhões em investimentos em startups no ano passado, o triplo do valor de 2020. 

Mas como é do dizer popular: “não existe almoço grátis”. Em tempos de crise, os fundos estão com menos dinheiro disponível e menos paciência ainda. No caso da Zak, assim como o da QuintoAndar, Loft, Creditas, Facily e deve ser o de outras startups daqui para frente, a conta chegou. A partir de agora, será preciso apresentar resultados melhores ou se retirar da mesa de negociação.  

Beatriz Pacheco

Beatriz Pacheco

RepórterRepórter de negócios, já colaborou com as revistas IstoÉ Dinheiro e Robb Report Brasil e foi produtora da afiliada da TV Record no Paraná.