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Negócios

Petrobras (PETR34): revisão de portfólio traz fortes perspectivas para dividendos da companhia

Em teleconferência com o mercado na manhã desta sexta-feira (6), executivos reafirmaram diretrizes do plano estratégico e rebateram ataques de Bolsonaro sobre o lucro histórico no primeiro trimestre

Beatriz Pacheco

por Beatriz Pacheco

6 de maio de 2022 14:00Atualizado em: 31 de maio de 2022 9:21
Petrobras (PETR34): revisão de portfólio traz fortes perspectivas para dividendos da companhia
Fernando Frazão/Agência Brasil

Na teleconferência com investidores desta sexta-feira (6), a Petrobras (PETR34) reforçou a perspectiva da companhia de seguir focada no refino, apesar da revisão de portfólio de ativos, que vem gerando desinvestimentos no setor de petróleo e gás em terra. José Mauro Ferreira Coelho, presidente da petroleira desde 14 de abril, reiterou as diretrizes do plano estratégico, incluindo a projeção de investir US$ 7 bilhões no refino de petróleo e em gás natural nos próximos cinco anos. O aporte no segmento será destinado ao aumento de segurança das plantas e da eficiência energética operacional e ambiental.

O executivo lembrou que a gestão da Petrobras seguirá com “ênfase especial no desenvolvimento dos ativos do pré-sal, onde serão instaladas 13 das 15 plataformas previstas para entrar em operação nos próximos cinco anos”, o carro-chefe da operação nesse horizonte. As novas unidades produtivas devem trazer um incremento de produção na ordem de cerca de 500 mil barris de óleo equivalente por dia dentro desse período, o que Coelho disse se tratar de um "patamar sustentável" para a produção de petróleo e gás natural.

“Continuaremos adequando o nosso portfólio para focar nos ativos em que possuímos vantagens competitivas, assim como nos desinvestimentos naqueles ativos que geram menor retorno financeiro ou que são menos aderentes à nossa estratégia”, afirmou Coelho na apresentação a investidores. Segundo ele, o foco da petroleira em se desfazer de ativos é endereçar os que não estão no core da companhia ou que foram objetos dos TCCs (os termos de cessão de conduta de prática) assinados com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em especial as plantas de refino e infraestruturas de gás natural. 

“Estamos ficando apenas com as plantas mais propícias à estratégia por estarem próximas ao mercado de produção petróleo e gás natural ou do mercado consumidor”, completou o presidente da companhia, ao ressaltar que a Petrobras “de forma alguma está saindo desses segmentos”.

Durante a apresentação, nenhuma novidade sobre a venda dos 47% de participação acionária da empresa na Braskem, pretoquímica controlada pela Novonor (ex-Odebrecht). Questionado, o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Rodrigo Araujo Alves, reafirmou o interesse da companhia sobre o negócio, mas alegou não haver nada de concreto no momento. “Fizemos uma primeira tentativa neste ano, mas o cenário não era nada favorável. Então estamos monitorando o ambiente de mercado para outras oportunidades”, disse. 

Sobre a distribuição dos dividendos aos acionistas, Alves explicou que a Petrobras trabalha com projeções baseadas em um horizonte de 12 a 24 meses, o que inclui análises para além dos resultados operacionais e o túnel de risco. Ele reiterou os termos de geração de caixa com a entrada de novas unidades e uma perspectiva de redução da dívida - hoje de US$ 58,554 bilhões, que deve ser mantida dentro do limite de US$ 50 a US$ 65 bilhões, segundo o executivo. Isso torna a distribuição mais robusta.

 "Olhamos um cenário de 60% mirando o fluxo de caixa livre, mas quando fazemos a proposta de distribuição de dividendos levamos em consideração os eventos que acontecerão em seguida, a posição de caixa da companhia e também as perspectivas em termos de exposição financeira", afirmou o diretor financeiro.

 

Após críticas de Bolsonaro ao lucro da Petrobras, executivos defendem política de preços de mercado

A Petrobras reportou nesta quinta-feira (5) lucro líquido de R$ 44,561 bilhões no primeiro trimestre de 2022, alta de 3.718,4% na base anual. O resultado levou o presidente Jair Bolsonaro (PL), que vem sendo criticado pela falta de política para controle do aumento de preços dos combustíveis, a atacar a companhia. O chefe do Planalto classificou a margem como “absurdo” e “um estupro”. 

Na transmissão ao vivo pelas redes sociais, o candidato à reeleição pelo PL (Partido Liberal) seguiu com apelos para que a petroleira reduzisse seu lucro e para que não aumentasse os preços dos combustíveis, "sob o risco de o País quebrar". Os ataques foram rebatidos pela gestão da companhia na manhã desta sexta-feira (6).

Sem nomear Bolsonaro ou tratar diretamente do episódio, Coelho enfatizou na teleconferência que a companhia não pode desviar da prática de preços de mercado, "necessária para atração de investimentos e para garantir o suprimento dos derivados que o Brasil precisa importar”, disse. O executivo lembrou em seguida que o País hoje importa os principais derivados, como diesel, GLP (gás liquefeito de petróleo), gasolina e querosene de aviação.

Questionado sobre os reajustes de preços, o diretor executivo de relacionamento institucional e sustentabilidade da Petrobras, Rafael Chaves, reforçou que a alternativa à política do mercado, isto é, o preço tabelado, adotado no passado no Brasil, “geralmente, não funciona”. “Primeiro, a legislação exige que trabalhemos com preços de mercado”, lembrou, emendando: “é o que garante a mitigação de riscos de desabastecimento no País”. 

Em relação ao diálogo com o governo, Chaves alegou que a petroleira está sempre disposta a sentar com a equipe técnica e faz isso com alguma frequência. “A Petrobras não é insensível a segmentos mais carentes da população. Atuamos de forma empresarial com a frente de responsabilidade social, contribuindo, por exemplo, por meio da doação do gás de cozinha para famílias de baixa renda.”

O executivo ressaltou ainda que, embora a empresa esteja sempre aberta a ajudar a evoluir as discussões e pensar em soluções, faz “sempre separando nossa atuação empresarial da atuação dos formuladores de políticas públicas, que são os que têm legitimidade para formular política mais ampla para algum segmento da sociedade", concluiu.

No começo da teleconferência, Coelho já havia defendido que “a Petrobras é hoje uma das empresas que mais recolhe tributos e participações governamentais, figurando como a maior contribuinte em diversos estados e municípios do Brasil”. Na sequência, o presidente da companhia destacou que a empresa arrecadou R$ 70 bilhões no primeiro trimestre do ano.

Ainda sobre o lucro da companhia, 38 vezes maior na base anual, o diretor financeiro da Petrobras reiterou que 57% da geração de caixa operacional retornaram à sociedade, “não apenas em forma de tributos, mas como dividendos aos nossos acionistas”. A petroleira anunciou o pagamento de R$ 48,5 bilhões em dividendos, no valor de R$ 3,715490 por ação. De acordo com a companhia, o pagamento será feito em duas parcelas iguais, estando a primeira programada para o dia 20 de junho de 2022.

 

Venda da Reman e da SIX devem ser concluídas neste ano; outros desinvestimentos aguardam “melhora das condições de mercado”

Alves também confirmou a expectativa da Petrobras para concluir a venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, e da SIX, no Paraná, ainda neste ano, negócios que dependem hoje do aval do Cade. 

Segundo o executivo, a empresa dá sequência às negociações para venda da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e da Lubnor, no Ceará, estando esta mais avançada que a primeira. Alves não cravou um prazo para conclusão das tratativas, no entanto. Deu a entender ainda que os demais desinvestimentos desaceleraram, especialmente os da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, que tiveram uma primeira tentativa malsucedida. 

“A gente vem fazendo uma avaliação de momento do mercado para mapear potenciais compradores e estamos discutindo isso junto ao Cade para que possamos, tão logo quanto for possível, retomar os processos”, disse. Ele pontuou que a volatilidade do cenário traz desafios adicionais para o ano. Uma melhora dessas condições são requisitos da equipe para que a negociação seja retomada. No ano passado, executivos da Petrobras já sinalizaram que as ofertas não devem ser recebidas antes das eleições.

Já a venda da Reman para o Grupo Atem, transação que deve trazer US$ 189,5 milhões para o caixa da petroleira, estaria em vias de ser aprovada pelo Cade, segundo apurado pelo jornal “Valor Econômico”. O negócio vinha sendo questionado por Raízen, Fogás, Equador e Ipiranga, incluídas pelo órgão no processo como terceiras interessadas. As empresas apontam riscos de desabastecimento, práticas abusivas, práticas discriminatórias e de fechamento de mercado, já que o Atem atua na distribuição de combustíveis.

Mesmo sob interpelações, tudo indica que a transação deve ser aprovada muito em breve, e fará a Petrobras (PETR34) embolsar mais alguns milhões para engordar o seu já robusto caixa, que tem entre US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões, segundo informou a companhia.