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Negócios

Natura (NTCO3) lidera queda do Ibovespa após "vazamento" do balanço

Números apresentados em reuniões com analistas para discutir resultados do primeiro trimestre vieram muito abaixo do esperado

Beatriz Pacheco

por Beatriz Pacheco

20 de abril de 2022 20:19Atualizado em: 31 de maio de 2022 9:21
Natura (NTCO3) lidera queda do Ibovespa após "vazamento" do balanço

A Natura (NTCO3) despencou 15,30% nesta quarta-feira (20), liderando as perdas do Ibovespa no dia. O efeito segue um dia de reuniões da equipe de relações com investidores da Natura com analistas do sell-side, responsáveis pelos relatórios de recomendações em bancos e casas de análise, para alinhar as expectativas para os resultados do primeiro trimestre. A divulgação ao mercado estava prevista para o dia 5 de maio. Mas com o detalhamento das informações apresentadas, no entanto, os números teriam vazado para o mercado, que não gostou nada do que viu. 

Segundo fonte ouvida pelo “Brazil Journal”, a empresa quis evitar uma catástrofe no dia de apresentação dos números, mas terminou por antecipar o efeito previsto. Diante do acontecido, a XP compartilhou seu relatório de análise dos resultados da companhia no primeiro trimestre deste ano. E o que tanto desagradou os analistas? Segundo a equipe de varejo da corretora, a expectativa para a Natura é de um trimestre fraco, puxado por uma dinâmica ainda desafiadora em Avon na América Latina, desalavancagem operacional na The Body Shop e uma performance mais fraca ainda na Avon Internacional devido ao conflito da Rússia e Ucrânia. 

A receita líquida consolidada da companhia deve ter queda de 14,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o Ebitda ajustado deve alcançar R$ 522 milhões (com margem de 6,5%) e a operação deve fechar o período com prejuízo líquido de R$ 222 milhões, informou a XP.

A Avon é um ponto de atenção no grupo, responsável pelo tombo de 10% da receita líquida do grupo, de R$ 4,7 bilhões, enquanto a Natura Brasil compensou um pouco das perdas, com um crescimento de 3,5% na base anual. “Quanto à rentabilidade, estimamos uma margem bruta relativamente estável (-0,5p.p A/A) com margem Ebitda com queda de 2,5p.p A/A (em 8,6%), já que a margem da Avon deve permanecer em território negativo”, afirmaram os analistas no relatório. 

A receita líquida da Avon Internacional deve alcançar R$ 1,8 bilhão, baixa de 24% na comparação com o primeiro trimestre de 2021, impactada principalmente pelo conflito no leste europeu. “Estimamos que os dois países respondam por aproximadamente 20% das vendas da operação”, explicou a equipe da XP. A conversão cambial também teve efeito negativo no resultado, considerando a valorização de 25% do real ante o euro. 

A previsão para a estabilização do modelo comercial da Avon é que a empresa comece a dar frutos somente no segundo semestre deste ano. “Apesar de acreditarmos que esse resultado esteja abaixo das expectativas do consenso, já esperávamos um primeiro semestre difícil”, avaliou a equipe liderada por Danniela Eiger. E mesmo que 2021 tenha sido um bom ano para a Natura (NTCO3), o que eleva a base de comparação, a expectativa dos analistas para este primeiro trimestre era de uma receita líquida que ultrapassasse em pelo menos o dobro os números apresentados.