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Alta da Selic prejudica recuperação, diz indústria

Folhapressem 28 de outubro de 2021 7:26
  • O Copom elevou a taxa Selic em 1,50 ponto percentual, a 7,75% ao ano;
  • A CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que considera equivocada a decisão do Copom;
  • Economistas, no entanto, afirmam que a decisão do governo de furar o teto de gastos coloca em risco o controle da inflação;
  • Pra a indústria, os novos aumentos da Selic põe em risco a recuperação econômica e aumenta a probabilidade de uma recessão em 2022.

Entidades que representam o setor produtivo e trabalhadores classificaram o aumento no ritmo de alta da taxa básica de juros anunciado nesta quarta-feira (27) pelo Banco Central como excessivo. Para elas, o movimento compromete a recuperação de uma economia ainda fragilizada.

O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa Selic em 1,50 ponto percentual, a 7,75% ao ano. Esta é a maior alta desde dezembro de 2002, quando os juros subiram 3 pontos percentuais, de 22% para 25% ao ano.

Economistas, no entanto, afirmam que a decisão do governo de furar o teto de gastos, para viabilizar um programa social mais robusto sem comprometer emendas parlamentares e o dinheiro do fundo eleitoral, coloca em risco o controle da inflação.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que considera equivocada a decisão do Copom.

"Os aumentos anteriores da taxa de juros já começaram a ter reflexos na economia. Percebemos que a atividade econômica dá sinais de desaquecimento e, nos próximos meses, os efeitos defasados do aumento da Selic vão continuar contribuindo para desestimular o consumo e desacelerar a inflação", diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Segundo ele, com novos aumentos expressivos da Selic, o Banco Central põe em risco a recuperação econômica e aumenta a probabilidade de uma recessão em 2022.

A Firjan (federação das indústrias do Rio de Janeiro) vai na mesma linha.

"A Firjan entende que um aumento da Selic em 1,5 ponto percentual foi excessivo neste momento. O quadro inflacionário atual e as expectativas para a inflação, principalmente por conta da piora da situação fiscal e da recomposição da demanda, justificam a manutenção do ciclo de alta da taxa de juros. Porém, entendemos que acelerar o ritmo de aumento foi precipitado e poderá comprometer a recuperação de uma economia ainda fragilizada."

"Para o comércio e todo o setor produtivo, a elevação da Selic implicará em custos maiores e em mais dificuldades de acesso ao crédito", disse Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo.

"O que se espera agora é que o Executivo e o Legislativo definam claramente a situação fiscal, o que contribuiria para a valorização do real e a queda dos preços."

A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) disse que a decisão do Banco Central foi importante diante da necessidade de controle do processo inflacionário no Brasil. "Com essa medida, será possível estabilizar os juros futuros de longo prazo, condição essencial para o crescimento econômico do país, do setor e para a geração de empregos."

A Força Sindical diz considerar um grave erro a decisão dos membros do Copom. "Com esta decisão equivocada, o Banco Central prejudica ainda mais a já fragilizada economia do nosso país e só beneficia banqueiros e especuladores."

Para a central, o aumento da taxa de juros tem se mostrado um instrumento muito pouco eficaz no combate à inflação.

Tatiana Nogueira, economista da XP, afirma que a parte mais polêmica do comunicado é a visão do Copom sobre o panorama fiscal, quando a instituição cita que "recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação".

"O Copom ainda não vê que o quadro fiscal mudou, como nós e a maior parte do mercado vemos. Provavelmente por isso as projeções de inflação não mudaram muito", diz.

"Isso pode ser interpretado como espaço para o Copom voltar a mudar sua estratégia, quando (e se) o risco fiscal se materializar (como grande parte do mercado acredita que acontecerá)."

Para a economista, a decisão de hoje é consistente com o cenário de uma taxa Selic em 11% ao fim do ciclo de alta.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirma que o novo ritmo é suficiente para promover a convergência da inflação para meta no horizonte relevante para política monetária. As expectativas do BC para o IPCA em 2022 subiram de 3,7% para 4,1%, o que exige um esforço adicional de 2 pontos percentuais nos juros. Para colocar a inflação no centro da meta (3,5%), seriam 3 pontos.

Ele espera uma Selic de 12% em meados de 2022, encerrando o próximo ano em 11%.

"Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico", afirma.

O economista Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Messem Investimentos, diz que o BC terá que tomar medidas duras para conter a inflação até o primeiro trimestre de 2022, com a taxa Selic atingindo até 10,50% ao ano.

Segundo Bertotti, as declarações do ministro Paulo Guedes de que iria furar o teto de gastos gerou a apreciação do dólar e consequente elevação das expectativas de inflação.

João Beck, economista e sócio da BRA, diz que a decisão unânime da diretoria do BC mostra comprometimento técnico e que o Banco Central não vai se deixar influenciar pelo governo.

"No geral, comunicado firme, objetivo e passando a mensagem de que irresponsabilidade fiscal será remediado com mais juros. Foi um comunicado de um Banco Central independente e que persegue a meta de inflação."

 

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