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Bolsa

Por que empresas estão migrando da B3 para a bolsa de NY?

Brenda Roberta em 14 de janeiro de 2022 13:00

    Em 2021 o número de empresas brasileiras que escolheram fazer sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), na bolsa norte-americana bateu recorde, de acordo com pesquisa divulgada pela provedora de dados financeiros, Economatica.

    Enquanto isso, ao analisar o acúmulo dos últimos cinco anos, companhias brasileiras levantaram quase US$ 9 bilhões (R$ 49,7 bilhões, na cotação atual) em IPOs nos Estados Unidos, em 13 operações - nas quais não entram, portanto, nessa conta operações de empresas que já eram listadas em outros mercados e fizeram posterior estreia em Nova York. 

    Por outro lado, olhando para o mercado de capitais nacional, o ano de 2021 não conseguiu ser positivo para a maioria das ações que estrearam na bolsa de valores brasileira, a B3. Entre as estreias após as 46 ofertas públicas de ações, 58% tiveram retorno negativo até setembro, de acordo com levantamento feito pela Nord Research com os IPOs em 2021.

    Entre as empresas que estrearam na bolsa em 2021, o pior retorno se deu para a empresa de móveis Mobly. Ao disparar na estreia em fevereiro, o papel não sustentou o desempenho ao longo dos meses seguintes e acumulou uma baixa de 67%.

    Ao notar uma realidade mais ácida no mercado de ações nacional, algumas companhias estão escolhendo o movimento de deslocar-se para os mercados estadunidenses. Este processo de mudança da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, para a rua nova-iorquina, Wall Street, feito pelas companhias brasileiras, pode ser justificado em diversos fatores.

    A estabilidade de um mercado de capitais mais maduro, como é o caso da bolsa de valores norte-americana, revela-se como um potencial vantajoso para as empresas brasileiras. Um maior mercado financeiro, com mais empresas, mais investidores e consequentemente uma volatilidade de maiores escalas são atributos positivos que tem feito as companhias brasileiras olhar com maior atenção sobre a bolsa de Nova York.

    A B3, por sua vez, apresenta algumas limitações. Por ser uma bolsa de valores relativamente nova é comum possuir tais atributos e futuramente aperfeiçoá-los. Uma ferramenta que as companhias sentem falta no mercado de capitais brasliero é a ação plural, que permite que seu detentor tenha mais direitos (como mais votos, por exemplo).

    O mecanismo permite que empresas emitam ações ordinárias com poder de voto superior às demais, possibilitando que um acionista (geralmente o fundador) exerça o controle da companhia, ainda que com pequena participação no capital social. Ou seja, o voto plural possibilita a captação pública de recursos sem perda do poder de mando na empresa.

    Tal recurso não existia na bolsa de valores brasileira, até a Medida provisória embasada na Lei de Ambiente de Negócios ser aprovada na Câmara dos deputados em meados do ano passado, na qual permite que as companhias que  forem realizar IPO na B3 crie uma ação especial, com "supervoto". 

    O “voto popular” já está em vigência na B3, através de uma medida provisória, ou seja, uma norma com força de lei editada pelo presidente da república em situações de relevância e urgência. No entanto, apesar de produzir efeitos jurídicos imediatos, a MPV precisa da posterior apreciação pelas Casas do Congresso Nacional (Câmara e Senado) para se converter definitivamente em lei ordinária.

    Por fim, destaca-se o cenário nacional que desfavorece as companhias, ao passo que possui altos juros, desvalorização da moeda frente ao dólar, além da realidade política que acaba por desestabilizar o mercado financeiro e impulsionar instabilidades. Estas particularidades brasileiras tem se apresentado como insatisfação para o mercado nacional e impulsionado as companhias brasileiras a busca por estabilidade e menor exposição ao risco Brasil em bolsas estrangeiras.


     

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