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Mercado

B3: erro gera críticas, mas não frustra analistas

Os dados da B3, que apontavam entrada de cerca de R$ 91 bilhões na Bolsa em 2022, estavam errados

por Redação BP Money

3 de abril de 2022 10:14Atualizado em: 31 de maio de 2022 9:21
B3: erro gera críticas, mas não frustra analistas

A alta de aproximadamente 16% da Bolsa de Valores brasileira no acumulado do ano se deve em grande medida ao fluxo de capital estrangeiro em busca de oportunidades em mercados emergentes.

Na quinta-feira (31) a XP chegou a elevar suas projeções para o fechamento do índice de ações Ibovespa em dezembro, tendo entre os motivos para isso o bom momento vivido pelo país sob a ótica dos estrangeiros.

Os dados da B3 que apontavam para uma entrada de cerca de R$ 91 bilhões na Bolsa em 2022, contudo, estavam errados.

A B3 informou na sexta (1º) uma revisão segundo a qual o saldo do fluxo de capital estrangeiro na Bolsa corresponde na verdade a R$ 64,1 bilhões, uma queda de 29,6%, ou cerca de R$ 27 bilhões.

"Os dados que a gente vinha divulgando desde outubro de 2020 estavam incluindo operações de empréstimos de ações feitas via tela [quando o serviço passou a ser oferecido pela B3]. Mas esse tipo de operação não tem um fluxo financeiro, ou seja, não tem um pagamento de um lado para o outro. É só um empréstimo, e não deveria ser contabilizado como uma compra ou uma venda", disse Luis Kondic, diretor de produtos e dados da B3, durante coletiva com jornalistas na sexta.

Segundo Kondic, o erro foi descoberto em meio a um processo de revisão interna da própria empresa, e também com base em questionamentos que chegaram de clientes.

Os dados passaram a refletir agora as operações feitas nos mercados à vista, opções e termo, excluindo os dados de empréstimo de ativos.

A operação de empréstimo costuma ser feita quando um investidor quer ficar "vendido" em uma ação, pelo jargão de mercado, na expectativa de que o papel irá ter uma desvalorização mais à frente. Nesse caso, ele toma emprestada a ação de alguém disposto a alugar o papel em troca de uma remuneração, com a perspectiva de que ela estará mais barata nas semanas seguintes.

O erro da Bolsa que inflou o volume de investimentos de estrangeiros na Bolsa de Valores gerou uma série de reações nas redes sociais.

A maior parte das publicações critica a falha da B3 em relação à transparência dos números, apontando a falta de confiança nas próximas divulgações da empresa, bem como a indução ao erro por parte de pequenos investidores.
Apesar do tom crítico da maior parte das postagens, há também quem veja no erro um lado positivo.

"Copo meio cheio ou meio vazio? Onde enxergam apenas o erro, vejo uma grande oportunidade de entrar esses [R$] 30 bi nos próximos meses na Bolsa", diz postagem feita pelo estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira.

Na quinta-feira, a XP revisou de 120 mil para 130 mil pontos a projeção para o Ibovespa no final do ano. O fluxo de capital estrangeiro ao mercado local foi apontado pelos especialistas da corretora entre as razões para o maior otimismo com o desempenho das ações.

"Nos reunimos com vários investidores estrangeiros recentemente, a fim de avaliar suas percepções sobre o Brasil. Vemos um otimismo crescente em relação ao país", diz o relatório da XP.

Embora a B3 tenha feito a divulgação sobre a revisão nos dados enquanto o mercado ainda estava aberto na sexta, o anúncio não gerou maiores impactos para os preços dos ativos -o dólar voltou a fechar em queda mais uma vez frente ao real, enquanto a Bolsa fechou em alta de 1,3%, aos 121.570 pontos.

"Na minha opinião, a revisão não tira a força do fluxo de recursos de investidores estrangeiros entrando em nosso mercado financeiro, seja pela Bolsa ainda barata, ou pela atratividade da taxa de juros de dois dígitos", afirma Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Wealth Management.

"Realmente é um erro enorme. Ainda assim temos um fluxo bastante expressivo, de R$ 60 bilhões no ano", afirma Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital Asset Management.

Ele diz ainda que, mesmo em dólar, a Bolsa brasileira é uma das melhores performances entre os principais ativos em escala global, perdendo somente para o petróleo. "Então, apesar de bizarro, [o erro da B3] não deveria mudar a percepção dos agentes", afirma o economista.