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Internacional

Inflação no Brasil é intensificada pelo Fed, afirma economista-chefe do Citi

Economista-chefe para mercados emergentes do Citibank, David Lubin comentou o movimento dos EUA e o impacto na inflação

por Redação BP Money

18 de julho de 2022 9:54Atualizado em: 18 de julho de 2022 9:56
Inflação no Brasil é intensificada pelo Fed, afirma economista-chefe do Citi
Foto: Reprodução

O dólar acabou se fortalecendo em todo o mundo após a alta de juros nos EUA. Com essa política do Fed (banco Central do país), um dos efeitos colaterais foi o enfraquecimento de moedas emergentes, como o real, tornando o combate à inflação nesses países, como o Brasil, ainda mais difícil. 

Economista-chefe para mercados emergentes do Citibank, David Lubin comentou o movimento dos EUA e o impacto na inflação de países como o Brasil: "A ação do Fed tentando resolver o problema da inflação americana pode intensificar a inflação dos países em desenvolvimento, por causa do efeito cambial". 

O especialista ainda analisa a persistência da inflação nos EUA e projeta muito trabalho para o Fed. "A fonte fundamental das pressões inflacionárias foi a escala de estímulos nos EUA. Em 2020, os EUA entregaram algo em como US$ 2 trilhões de estímulo fiscal, já em 2021 foi de US$ 1,7 trilhão, ocasionando uma onda de pressão de demanda, que elevaram as expectativas de inflação. O Fed terá muito trabalho pela frente". 

Historicamente, o real se fortalece em relação ao dólar quando as commodities se valorizam. No entanto, isso não tem ocorrido atualmente. para Lubin, há uma combinação muito incomum neste momento: preços altos de commodities e um dólar forte. 

"Isso não é verdade apenas para o Brasil, mas para outros exportadores de matérias-primas também. Na minha opinião, o mercado está dividido entre dois fatores. Por um lado, há o efeito positivo das exportações. Mas, de outro, a aversão ao risco exerce uma força negativa", explicou Lubin ao Brazil Journal. 

Alta no risco Brasil

O risco Brasil, que mede a capacidade do País em pagar dívidas, alcançou 332 pontos na última quinta-feira (14), segundo a IHS Market. O crescimento se deve ao investidores, que têm demonstrado cada vez mais aversão ao risco no Brasil e no exterior. O índice é medido pelos contratos de cinco anos de CDS (Credit Default Swap). 

De acordo com Lubin, existem dois fatores globais e alguns específicos do Brasil. "Imagine dividir os países em quatro quadrantes. Acima, os dignos de crédito e, abaixo, os que não são dignos de crédito. De um lado, os exportadores de commodities e, de outro, os importadores. O quadrante mais vulnerável são os importadores de commodities que têm baixos níveis de qualidade de crédito", analisou. 

"Os países que são mais seguros são os exportadores de commodities com níveis mais elevados de credibilidade. O Brasil poderia ser colocado nesse quadrante. É um credor externo líquido e, mesmo que o ônus total da dívida pública seja elevado, não é tão alto quanto pensávamos que seria há dois anos. As receitas fiscais estão indo bem. A conta corrente está em superávit. Tem muitas coisas a favor do Brasil", completou o economista-chefe. 

Além da inflação, Lubin também se mostrou bastante pessimista para os países emergentes: "Um fator crítico para o desempenho das economias emergentes é o crescimento do comércio mundial. Entre 2010 e 2019 o crescimento do comércio ficou abaixo do crescimento do PIB global. Já temos alguns anos de um mundo em 'desglobalização', se podemos defini-lo dessa forma", concluiu.