Logo BP Money
Bolsas americanas têm quarta semana de alta
Ikea inaugura primeira loja na América do Sul
Internacional

Boris Johnson renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após escândalos

O anúncio de sua saída do cargo deve ocorrer nesta quinta-feira (7)

por Redação BP Money

7 de julho de 2022 8:28Atualizado em: 7 de julho de 2022 11:27
Boris Johnson renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após escândalos
Foto: Reprodução

Boris Johnson anunciou a saída do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido nesta quinta-feira (7). Após renúncias em massa em seu governo, o premiê afirmou, nesta quinta-feira (7) que deixa a liderança do Partido Conservador. Além disso, Johnson também disse que renuncia ao cargo de primeiro-ministro, mas que será interino até a escolha de um novo líder.

A saída de oito ministros, incluindo dois secretários de Estado, demitindo-se nas últimas duas horas, culminou no isolamento e enfraquecimento de Johnson, tornando inevitável a sua renúncia ainda nesta quinta. 

Johnson perdeu apoio em apenas 24 horas. O ministro das finanças, Nadhim Zahawi, nomeado para o cargo na terça-feira (5), pediu pela saída do premiê. 

Zahawi e outros ministros do gabinete foram para Downing Street na quarta (6) à noite, junto com um representante de alto escalão dos parlamentares da sigla que não estão no governo, para dizer a Johnson que ele deveria deixar o cargo. 

Inicialmente, Johnson se recusou a deixar o cargo e pareceu pronto para resistir, demitindo Michael Gove –um membro de sua equipe ministerial de alto escalão que foi um dos primeiros a dizer-lhe que precisava renunciar– em uma tentativa de reafirmar sua autoridade.

Porém, uma série de demissões realizadas na manhã desta quinta tornou a posição de Johnson insustentável. 

Escândalos após a saída da União Europeia

O premiê conseguiu sacramentar a saída da União Europeia, porém viu seu apoio popular derreter por causa do “Partygate”, escândalo da participação de membros do governo britânico, incluindo o próprio Johnson, em confraternizações durante períodos de lockdown contra a pandemia de Covid-19.

Ele foi multado pela polícia de Londres por ter participado de uma dessas festas, mas acabou sobrevivendo após uma moção de desconfiança no Partido Conservador há pouco mais de um mês. No entanto, ali já havia ficado bastante fragilizado no cargo. 

Sua situação se agravou após a revelação de que o premiê sabia de denúncias de má conduta sexual antes de nomear um de seus aliados mais próximos entre os “tories”, o deputado Chris Pincher, para vice-líder da bancada conservadora na Câmara.

Acusado de apalpar dois homens em um clube de Londres, Pincher acabou renunciando ao cargo no fim de junho, em um caso que minou ainda mais a credibilidade de Johnson, principalmente por ele ter negado que teria conhecimento sobre as denúncias contra o aliado. Tempo depois, acabou admitindo que já tinha ouvido reclamações sobre a conduta sexual do deputado. 

O episódio provocou uma onda de renúncias no governo britânico e cobranças públicas para o premiê abdicar.

Partido Conservador indicará novo primeiro-ministro

Assim como Johnson chegou ao poder, em julho de 2019, quando a então primeira-ministra Theresa May renunciou por conta da não aprovação de seu acordo para o Brexit pelo Parlamento, ele sairá para que um novo seja escolhido. 

O Partido Conservador detém a maioria na Câmara dos Comuns, por isso podem indicar um novo primeiro-ministro, sem a necessidade de eleições antecipadas. O processo para escolher o próximo líder do Partido Conservador será iniciado assim que o premiê confirmar sua renúncia.

Para disputar a sucessão de Johnson, cada candidatura precisa assegurar o apoio de pelo menos oito deputados. Na primeira votação, são eliminados os postulantes que receberem menos de 18 votos. Na segunda, a cláusula de barreira aumenta para 36 votos.

Leia também: União Europeia aprova pacote de leis para regular big techs

A partir daí, cada candidato com menos votos vai sendo eliminado. O último que restar será o escolhido para ocupar o lugar deixado por Boris Johnson