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BP Entrevista

AF Invest não vê juros nos EUA como "voo de galinha" e foca em oportunidades na renda fixa

AF Invest surgiu a partir de uma boutique de investimentos em BH e mira R$ 10 bilhões sob gestão

Juliano Passaro

por Juliano Passaro

18 de julho de 2022 6:00Atualizado em: 18 de julho de 2022 7:55
AF Invest não vê juros nos EUA como "voo de galinha" e foca em oportunidades na renda fixa
Araujo Fontes/Divulgação

Fundada em 2006, a gestora AF Invest surgiu de uma boutique de investimentos criada em 1990, em Belo Horizonte (MG). Em entrevista ao BP Money, o gestor da asset, Stefan Castro - que possui um extenso currículo em grandes players do mercado financeiro - afirmou que a gestora tem focado nas oportunidades de longo prazo em renda fixa, para melhorar a rentabilidade de seus portfólios. As barganhas da bolsa de valores de São Paulo (B3) também estão no radar dos especialistas.

De acordo com Castro, a economia global está chegando a um cenário onde o juros vão continuar subindo, para conter a pressão inflacionária. Diferente do que alguns especialistas têm falado, os juros dos EUA devem permanecer em alta por mais tempo do que a média de consenso global, segundo o gestor. Ou seja, não será algo tão efêmero como “um voo de galinha”.

“O mercado tem sonhado com uma queda de juros dos EUA já em 2023. Seria um voo de galinha, mas acreditamos que não. Nós, brasileiros, estamos acostumados a viver nesse ambiente inflacionário. E, a grosso modo, o que temos que fazer na renda fixa é uma carteira com um prazo médio mais curto, que sinta menos as oscilações de juros para cima”, disse Castro. 

“Nesse cenário, geralmente aparece muitas oportunidades e pra aproveitar esse cenário tem de estar líquido. A gente tem trabalhado para aproveitar as oportunidades. A gente trabalha com prazo curto e mais caixa”, complementou.

De olho, também, nas oportunidades da bolsa de valores, Castro destacou que a AF Invest - que possui R$ 3,2 bilhões sob gestão e mira os R$ 10 bilhões - tem acompanhado o cenário atual global muito de perto. Para ele, o momento atual pode ser comparado às crises vividas nas décadas de 70 e 80, com juros subindo, inflação alta no mundo e aversão ao risco.

“Os governos vêm utilizando injeção de liquidez na economia nos últimos anos. Agora essa liquidez sumiu, dado a política fiscal que os BCs vêm adotando. A gente tem que fazer nossa gestão de risco e trabalhar com flexibilidade e ter liquidez, porque, por mais difícil que seja, a bolsa brasileira está extremamente barata. A gente tem que trabalhar para transitar nesse cenário. Acreditamos que, no longo prazo, vamos conseguir entregar resultados muito bons”, afirmou Castro. 

“Em bolsa, a gente trabalha com empresas que estão bem descontadas em termos de valuation de múltiplo. A gente vê várias empresas super atrativas negociando a níveis atrativos”, completou. 

De acordo com Castro, os juros americanos têm, ainda, muito espaço para subir mais do que o mercado tem precificado. A gestora, porém, já está se preparando para essa possibilidade. 

“Passa muito na faixa de liquidez. A gente já vem ajustando os portfólios na renda fixa. Geralmente, quando a gente entra em um cenário de recessão econômica, a gente tem uma inflação alta. Não tem outro instrumento a não ser subir os juros. O capital fica mais custoso. Empresários investem menos e a atividade vai pra baixo”, disse o gestor. 

A estratégia da AF Invest para passar bem pela crise é carregar mais caixa e mais renda fixa pós-fixada, segundo o gestor Stefan Castro e o sócio da asset Evaldo Fontes. A gestora acredita que o cenário que devemos ter, nos próximos 12/18 meses, é de juros bem altos e, por isso, vem aumentando seu portfólio, principalmente na parte de renda fixa pós-fixada atrelada ao CDI. 

“Inflação a gente acha que está bem atrativa com juros real acima de 6%, mas a gente acha que ainda não é o momento para entrar ‘maior’ nesses ativos, porque se continuar essa pressão inflacionária, o juros que já são altos podem ficar mais altos ainda, então é capaz de contaminar bastante essa curva pré-fixada.Temos preferido seguir em ativos pós-fixados e ter mais caixa”, explicou Castro.

Como surgiu a AF Invest?

De acordo com o sócio-fundador da AF Invest, Evaldo Fontes, a gestora foi fundada em 2006 por demanda de clientes e do próprio capital próprio dos gestores da boutique de investimentos que já existia. 

“Criamos a asset para cuidar tanto de cliente quanto de capital próprio, então a gente começou muito mais com uma gestão de patrimônio de pessoas, inclusive o nosso, e depois evoluímos e passamos a ter fundos abertos”, explicou Fontes. 

O gestor Stefan Castro chegou à AF Invest em 2020, para ser o gestor principal de portfólios. De acordo com Evaldo Fontes, sua chegada foi essencial para a gestora. 

“Ele trouxe inovações, principalmente em produtos de ações. A gente passou a ter multimercados e um fundo de renda fixa no exterior. Em 2021 também fizemos um fundo de CRI. O objetivo é ter uma casa com cada vez mais produtos. Temos mais de R$ 3 bilhões sob gestão e o BMG passou a ser nosso acionista. É uma parceria legal para a gente conseguir ter um novo capital, para ter novos fundos também”, disse Fontes.

A Araujo Fontes Invest atua com fusões, aquisições, reestruturação e captação de dívidas, imobiliário, gestão de ativos e câmbio. A área de M&A, a mais tradicional da boutique financeira, já movimentou mais de R$ 25 bilhões em volume de operações.

O diferencial da AF Invest

De acordo com o principal gestor da AF Invest, Stefan Castro, a gestora se diferencia das outras do mercado por três requisitos. O primeiro, segundo ele, é o “capital humano”. “Nossas pessoas. Temos um time muito alinhado. Gestão é gente”, disse. Em segundo lugar, Castro cita os processos como um dos pilares da gestora. 

“Temos processos muito rígidos na tomada de decisão e manutenção. Somos muito ativos. O processo é saber transitar em todos ambientes, até os mais desafiadores possíveis. No final das contas, as gestoras que começaram há décadas, e estão até hoje no mercado, focam em capital humano e processos”, disse.

O terceiro ponto colocado pelo gestor é a importância dada pela equipe à gestão de risco. 

“Saber quando você tem que parar na exposição e aceitar quando o cenário não está ao seu favor. A parte qualitativa e psicológica é tão importante quanto a quantitativa. Com um time robusto e experiente, a gente acredita que vai conseguir entregar performances superiores em todas estratégias que a gente atua”, concluiu o gestor da AF Invest.

Juliano Passaro

Juliano Passaro

Repórter BP MoneyRepórter do BP Money. Trabalhou no Grupo Bandeirantes de Comunicação e foi repórter nos portais Suno Notícias, Exame e IstoÉ Dinheiro.