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BP Entrevista

Ex-presidente da ABstartups comenta futuro das fintechs

Amure Pinho é ex-presidente da Associação Brasileira de Startups e founder do Investidores.VC.

por Redação BP Money

16 de dezembro de 2021 13:00Atualizado em: 31 de maio de 2022 9:32
Ex-presidente da ABstartups comenta futuro das fintechs

As fintechs estão se destacando entre as startups brasileiras, o segmento já conseguiu recordes de captação e tem apresentado um crescimento exponencial, especialmente as listadas em bolsa.

Diante dessas perspectivas, o ex-presidente da Associação Brasileira de Startups (ABstartups) e founder do Investidores.VC, Amure Pinho, trouxe a sua visão sobre o mercado e seu potencial de crescimento, especialmente sobre os bancos digitais, que tem ocupado um grande espaço no mercado brasileiro.
 
Confira a entrevista na íntegra:

Considerando o cenário atual e o processo de expansão que é visto em grande parte das fintechs brasileiras. Quais as suas perspectivas para o segmento no longo prazo?

Eu acredito que o segmento de fintech vai continuar a ser um dos protagonistas do nosso mercado porque o setor financeiro brasileiro é extremamente tecnológico e complexo, então tem muito espaço para produtos financeiros.

Existe também um poder de calibre muito grande no setor para essa área e ela está passando por uma transformação gigantesca com micropagamentos, descentralização de moedas, open banking, revolução no mundo do seguro, no crédito das fintechs.

Ela realmente continuará sendo um dos setores protagonistas do Brasil nos próximos anos.
 
Os bancos tradicionais têm adotado as fintechs como um braço de seus negócios. O movimento pode ser uma forma de manter os empreendimentos inovadores próximos às instituições, devido à mudança na cultura de compra. Como essa situação é vista?

Acredito que os bancos demoraram para realizar esse movimento, eu acho que os bancos historicamente têm muito dinheiro, o suficiente para que eles sejam os protagonistas da inovação, mas ao mesmo tempo não é culpa deles. Não enxergo os “bancões” como lentos ou dinossauros [esse comentário foi referente a campanha publicitária do Mercado Pago] etc. Eles estão trabalhando na plenitude da sua eficiência e da demanda que o mercado tinha.

Porque é assim que se faz negócio. Negócio pode ser feito com sustentabilidade etc., mas os acionistas querem uma hiperformance, você tem que ter um controle, se aquela performance te faz ser uma pessoa que também pensa no país e no mundo em que você vive, mas é preciso operar na melhor margem possível.

Essas instituições poderiam ter comprado a maioria das inovações, mas perderam a “primeira leva”. Eu acho que eles aprenderam isso rápido e decidiram se posicionar mais assertivamente. Então bancos como Itaú, Bradesco etc. criaram os seus espaços de inovação, seus programas, outros bancos criaram programas de aceleração interna.

Hoje eu concordo que esses bancos estão muito próximos às startups, nem sempre foi assim, mas isso só aconteceu porque elas perceberam que é mais barato, para quem tem muito dinheiro e pode criar produto financeiro, compra a inovação do que tentar desenvolvê-la internamente ou não fazer. Se não fizer será atropelada, como novos bancos atropelaram alguns antigos.

Esse processo de inovação é fundamental para que os negócios continuem por muitos anos.
 
Em relação às fintechs, em específico o Nubank, na sua visão, como vai ficar o cenário competitivo com a chegada da alemã N26?

Acredito que o cenário competitivo fica melhor para quem é mais digital e para quem é mais moderno do que o antigo. Um banco gigante europeu chegando no Brasil, provavelmente vai trazer inovações que não fazemos e vai sofrer um pouco para entender como as coisas funcionam aqui, porque o Brasil não é para amadores mesmo. Mas talvez eles tragam inovações porque eles estão vendo movimentos que já aconteceram lá atrás e agora está se repetindo no Brasil.

Por exemplo, na Europa existe uma cultura de uma geração que vive mais do que o Brasil e a nossa geração está vivendo cada vez mais. Será que não tem espaço para a inovação nesse segmento? Acredito que quando uma gigante inovadora chega no Brasil, é porque o nosso mercado está maduro o suficiente para receber.

Se vier uma outra gigante do transporte além da Uber, será que não faria bem para termos essa competição?
 
Com a chegada e a criação de novas empresas do segmento é possível dizer que há uma urgência para a regulamentação dessas empresas, tanto para a proteção dos clientes como para a das companhias?

As regulamentações, em tese, deveriam vir para proteger o consumidor, para ele não ser lesado e exposto, mas nem sempre as regulamentações ou os agentes reguladores fazem isso. Existe muito poder de mercado que influencia na criação ou o veto de algumas mudanças. Dito isso, eu acredito que a maioria das regulações só ajudam o regulador e quem já está bem-posicionado no mercado. Dificilmente elas trazem transformação para quem está iniciando a jornada empreendedora ou tentando trazer algo que distribui riqueza. Geralmente é para manter a concentração da riqueza. Porém temos visto, por exemplo, uma transformação digital do Banco Central e com a abertura do Pix. Eu vi isso na China, a seis anos atrás, eles pagando tudo com Qr Code. E nós agora podemos fazer isso.

Ao mesmo tempo, começamos a ver novos golpes com a modalidade de pagamento, e nesse momento tem que haver um regulador para mudar as regras do Pix. Contudo, não acho que sejam necessárias mais regulamentações, acredito que o exagero atrapalha o ecossistema. Como foi o exemplo da lei do investidor anjo, que era uma proposta excepcional, mas foi deturpada na fase de aprovação e se tornou uma lei natimorta. O próprio Marco Legal das Startups, quando ele foi cortado pela Câmara, pelo Senado e aprovado, não serviu para nada.

Acredito que quando a política tenta interferir no ambiente de negócios, ela cria leis sem ter a experiência de quem está no front, então deveria haver uma forma mais democrática para que o desejo das maiorias fosse respeitado.

Acredito em reguladores, mas quanto menos regulação melhor.