Logo BP Money
Criptomoedas: 51% dos latino-americanos já utilizaram ativos digitais, aponta pesquisa da Mastercard
AliExpress anuncia ampliação no número de voos para o Brasil
BP Entrevista

Shark Tank: empresário vende 25% da empresa por R$ 1

O CEO (diretor-presidente) da GameJamPlus e da IndieHero, Ian Rochlin, fez algo inimaginável no Shark Tank: vendeu 25% da empresa por R$ 1. 

por Redação BP Money

9 de dezembro de 2021 15:00Atualizado em: 31 de maio de 2022 9:21
Shark Tank: empresário vende 25% da empresa por R$ 1

Tendo uma legião de fãs e telespectadores fiéis, o "Shark Tank" é atualmente um dos programas de maior valor que pode-se encontrar na TV brasileira. Foi lá que o CEO (diretor-presidente) da GameJamPlus e da IndieHero, Ian Rochlin, fez algo inimaginável: vendeu 25% da empresa por R$ 1. 

Inicialmente, a pedida de Rochlin foi 10% da empresa por apenas R$1. No entanto, para abrir a possibilidade de todos os investidores - que fazem parte do Shark Tank - entrarem no negócio, o empresário aceitou aumentar a porcentagem para 25%.

Programa Shark Tank faz sucesso
No programa, empreendedores apresentam seus negócios para 5 “Sharks” (grandes empresários brasileiros, como Caito Maia e João Appolinário) e pedem uma quantidade de dinheiro por uma parte da empresa.

Vemos diversas propostas com valores muito altos, alguns valuations fora da realidade, no qual buscam aquele "empurrãozinho" financeiro para colocar seu negócio no ponto mais alto possível.

A BP Money conversou com Ian Rochlin para entender sobre seu negócio, o mundo dos games e o que fez com que ele pedisse apenas R$1. Confira a entrevista completa na íntegra:

De onde surgiu o interesse por games?
Eu sempre joguei desde que era criança, comecei no Atari, Mega Drive, Super Nintendo e por aí vai. Mas a relação profissional com a indústria surgiu por acaso. No fim de 2016 eu estava numa encurtadora de startups e havia uma startup de teste de jogos. Basicamente o desenvolvedor de jogos colocava o jogo na plataforma e uma base de testadores jogavam interagindo com esse jogo dando feedback e dessa forma o jogo poderia ser melhorado. Na época essa startup não tinha CEO e eu pedi para ser CEO em 2016, foi aí que eu entrei na indústria de jogos e comecei a ver os meus primeiros passos nessa indústria com mais foco na produção de jogos. 

Como você descreveria o seu negócio para os leitores da BP Money? 
Então, acho que são duas coisas que eu acabei levando para o Shark Tank. A primeira é a Game Jam Plus que é a Copa do Mundo de desenvolvimento de jogos, que é um movimento colaborativo sem fins lucrativos com foco em transformar jogos em negócios. Esse movimento dura sete meses e tem quatro etapas. A outra coisa é o Indie Hero que foi a empresa que os tubarões entraram como sócios. Essa empresa é uma plataforma de investimento em jogos em desenvolvimento (uma espécie de Kickstarter), que permite que os desenvolvedores encontrem investidores para o projeto. 

A Game Jam Plus serve para introduzir os indivíduos na indústria e a Indie Hero é para jogos e desenvolvedores que já atingiram um certo estado de maturidade mais avançado. A Indie entra como esse player que auxilia os desenvolvedores principalmente nessa parte de financiamento e em troca dessa ajuda a gente pega um revenue share do jogo e uma comissão de um eventual investimento ou financiamento. 

Para você que está no setor, quais são as maiores dificuldades de um desenvolvedor de jogos independentes?O mercado de jogos é um mercado em crescimento, isso é importante porque às vezes é melhor você estar num mercado menor, mas em crescimento, do que em um mercado maior e extremamente saturado, como por exemplo a indústria do petróleo. No mundo dos jogos, cerca de 80% do faturamento do mercado está na mão de grandes empresas. Apesar disso, houve uma grande democratização e uma explosão no número de desenvolvedores. Hoje qualquer pessoa com um laptop consegue programar um jogo. 

Além disso, existem as redes sociais, que apesar de não ser fácil se destacar na rede social, é possível a partir de esforço e estratégias de divulgação. Antigamente era impossível se destacar sem estar na Globo, no SBT ou no jornal e esse tipo de divulgação é muito caro. A distribuição é outro ponto que era muito difícil para os desenvolvedores, era necessário fazer um CD ou um disquete, mandar pra uma locadora e para isso era necessário investir milhões. Hoje em dia você desenvolve o jogo e o coloca na Steam e você consegue vender no Japão. 

Voltando a questão das dificuldades, a principal desse mercado atualmente é a mesma que qualquer empreendedor, que é o desafio de capacitar e dar acesso ao mercado. E esse é justamente o objetivo da Game Jam Plus e da Indie Hero, capacitar os desenvolvedores e fornecer a eles o acesso ao mercado através de investimentos. Enfim, o networking realmente hoje em dia é uma coisa sensacional e não é à toa que eu vendi vinte e cinco por cento da empresa por um real.

O que fez você pedir apenas 1 real por 25% de sua empresa? Não pensou em pedir uma quantia maior?
A primeira coisa que eu pensei foi: “nenhum dinheiro vale mais que ter os sharks como sócios. Nenhum dinheiro paga. Eu preciso sair daqui com um deles, é mais importante do que eu sair daqui com cem, duzentos, trezentos mil reais”. Cem, duzentos, trezentos mil reais eu já tive algumas vezes. Já recebi investimento do Ministério da Cultura e o dinheiro acaba. Ter esses “monstros” engajados na sua empresa não tem preço né? 
O aspecto número dois foi o fato de que eu pensei o seguinte: “se eu peço apenas R$1 eu posso chamar todos eles para serem sócios, porque eles não vão estar gastando dinheiro e o mercado de games tem muito “hype”, por que eles iriam recusar? 

Você vendeu 25% da empresa para os Sharks. Esse número saiu de sua parte ou já haviam outros sócios no que também abriram mão de um pedaço da empresa para os Sharks? 
A Game Jam Plus é uma construção coletiva. Muita gente teve mérito nessa história. Eu não sou o único criador da Game Jam Plus, mas dos criadores da empresa eu fui o único que continuou no negócio desde 2018. Em janeiro de 2020, 7 meses antes de gravar o programa, eu estava sozinho na empresa e todo mundo tinha ido embora. A Game Jam Plus estava quase sem dinheiro e naquele momento que eu fui ao Shark Tank, estávamos eu e mais 3 ou 4 jovens, que não tinham ainda essa relação de sociedade com a empresa, então após o investimento dos Sharks eu fiquei com 75% da Indie Hero e cada um deles com 5%

Você realmente recebeu R$1 ou foi simbólico? 
Não, foi simbólico. Todo mundo me pergunta isso (risos).

Quantos jogos, aproximadamente, a Game Jam Plus já ajudou a desenvolver? 
Em 5 anos de Game Jam Plus e Indie Hero, nós já ajudamos a iniciar mais de 800 projetos.

Os Sharks já estão ajudando ativamente no negócio, já estão abrindo portas para você? 
Alguns mais, alguns menos. O simples fato de aparecer no programa Shark Tank e até o jeito que aconteceu, já abre algumas portas né? Então no geral, as portas tem se aberto e coisas bem interessantes acontecido.