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Economia

Demissões em massa e fuga de investidores: “inverno cripto" pode estar longe do fim, apontam especialistas

Recuperação do mercado de criptomoedas depende de melhora no cenário macroeconômico, mas desaceleração dos negócios atrasa retomada, segundo analistas ouvidos pelo BP Money

por Fabio Santiago

13 de junho de 2022 15:30Atualizado em: 13 de junho de 2022 16:50
Demissões em massa e fuga de investidores: “inverno cripto" pode estar longe do fim, apontam especialistas

Grandes empresas do mercado de criptoativos como Mercado Bitcoin e Bitso anunciaram demissões em massa nas últimas semanas, motivadas pelo turbulento “inverno cripto”, como vem sendo chamada a crise deste ano no cenário das criptomoedas. No sábado (10), Kris Marszalek, CEO da Crypto.com, anunciou que a exchange dispensará 5% da sua força de trabalho, o que deve atingir 260 pessoas. E a BlockFi foi a última empresa do segmento a aderir à reestruturação das operações - pelo menos até agora.

Diante da queda de mais de 10% no valor do Bitcoin (BTC) nesta segunda-feira (13), para menos US$ 25 mil - o menor valor em 18 meses -, a startup norte-americana BlockFi informou por meio da sua página no Twitter que também enxugaria o quadro de funcionários em aproximadamente 20%, o que corresponderia a 170 pessoas. Os cortes se somam aos desafios dos mercados globais, avançando como uma avalanche no "inverno cripto".

Para analistas ouvidos pelo BP Money, a retomada do mercado de criptoativos depende de uma melhora do cenário macroeconômico nos próximos meses. Mas, com a dificuldade para a retomada dos investimentos, o alerta é para a duração desse “inverno”, que parece ainda estar longe do fim.

Com caráter diferente das outras crises já enfrentadas no universo de criptoativos, a recessão que provocou o "inverno cripto" está afetando diversos setores ao redor do mundo, estabelecendo uma correlação entre o mercado tradicional e o de criptoativos.

“Os problemas da economia mundial nos últimos meses permanecem os mesmos, mas o setor de criptos está sentindo esse efeitos ainda mais agora. Lockdown na China, inflação nos EUA, guerra no Ocidente, todos esses fatores viraram uma bola de neve no mundo digital”, explicou Caio Villa, CIO (chefe de investimentos) da gestora de criptoativos Uniera.

Para Villa, a influência direta do cenário econômico global sobre essas empresas dificulta a manutenção da mão de obra no setor, “visto que os mercados tradicional e de criptoativos têm sofrido baixas dos investimentos, na renda fixa e na variável.”

Assim, os cortes no quadro de funcionários das companhias do setor criptoativos devem ganhar mais atenção de acionistas e investidores, porque indicam que o "inverno cripto" deve perdurar.

Recessão em moedas digitais é consequência de momento no mercado tradicional

Apesar da recuperação de moedas como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) em junho, Villa avalia que o momento ainda não é de alívio. “Considerando as indefinições na taxa de juros na Europa e principalmente nos EUA, acredito que esse ‘inverno’ deve durar até o final de outubro deste ano”, afirmou o analista.

A perspectiva piora ao considerar que algumas empresas estão alterando planos de negócios que ajudariam a impulsionar a retomada no mercado de criptos. A exemplo, Villa cita o Mercado Bitcoin, controlado pelo grupo 2TM, que demitiu 90 funcionários no começo do mês a pretexto do cenário econômico global adverso.

“Já estava nos planos da companhia a venda de suas ações para a Coinbase, porém a aquisição aconteceu justamente nesse período de recessão. Só que os motivos que levaram às demissões na empresa são os mesmos que provocaram o fracasso do aporte da Coinbase”, disse o diretor de investimentos da Uniera.

Os analistas já entenderam que a atual crise de performance das criptomoedas é importada do mercado financeiro tradicional. Mas a falta de perspectivas para retomada dos investimentos tem levado as empresas a buscarem medidas mais drásticas de recuperação.

Segundo João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, especializada em criptoativos, as buscas por outras fontes de receitas e reduções de custos que não incluíssem demissões não foram suficientes para evitar os recentes desligamentos.

"As reduções foram provocadas pela projeção negativa dos mercados de criptos. Não como se as demissões fossem melhorar a saúde financeira das companhias, mas foram cortes necessários (na visão dessas empresas) para enfrentar a crise”, destacou Cunha.

Para especialista, ainda é cedo para medir a crise no mercado de criptoativos

O gestor de portfólio da Hashdex ainda não vê a atual recessão com a magnitude destacada no mercado. Segundo ele, as quedas de valores dos criptoativos não têm ficado tanto tempo em baixa quanto em outros momentos desafiadores para o setor.

“Em 2020, tivemos uma crise parecida, ocasionada pela pandemia da Covid-19, e, em 2021, o banimento da mineração de criptos na China, que também preocupou os mercados”, explicou o gestor. Como a atual crise tem menos de seis meses, Cunha acredita que ainda é cedo para cravar quais serão as intempéries desse “inverno”.

Para ele, o ensaio de recuperação das criptomoedas que se iniciou na semana de 6 de junho já é uma sinalização positiva, apesar de ainda ser uma “pequena melhora em meio a muitas incertezas no panorama macroeconômico'', disse.

Procurado pelo BP Money para falar sobre as demissões, o Mercado Bitcoin se posicionou em nota, reforçando a influência do cenário mundial nos desligamentos.

“O cenário exigiu ajustes que vão além da redução de despesas operacionais, tornando-se necessário também o desligamento de parte de nossos colaboradores. O processo que realizamos foi pautado pela  transparência e respeito, de modo a honrar o legado de cada colaborador que nos ajudou a chegar até aqui”, informou a corretora sobre as demissões provocadas pelo “inverno cripto”.