Privacidade e cookies: Utilizamos cookies no nosso website para melhorar o desempenho e a sua experiencia como utilizados.Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Visite nossa Política de Cookies para saber mais.
Ícone do aplicativo na loja

BP Money

Grátis na App Store

Abrir

Opiniões

Principais pontos para correção da bolsa nos últimos meses

Nathan Meirelles, analista da BP Money, CNPI-P EM-2093em 5 de outubro de 2021 14:41
  • A bolsa tem passado por um período extenso de correções;
  • Alguns fatores que explicam tal queda estão diretamente associados a questões macroeconômicas e de percepção de risco.

A bolsa tem passado por um período extenso de correções, saindo da máxima de 130.776,27 pontos para os atuais 110.393,09 pontos (queda de 15%) do índice (fechamento desta segunda-feira, 4). Alguns fatores que explicam tal queda estão diretamente associados a questões macroeconômicas e de percepção de risco, como:

• Crise energética global, com China e alguns países da Europa tendo que tomar medidas de racionamento;

• Persistentes gargalos nas cadeias de suprimento;

• Descarbonização da China – país pediu as empresas estatais para produzirem em níveis similares/inferiores aos do ano de 2020 (ano da pandemia), com base a alcançar o target de descarbonização de 2030;

• Redução do crédito imobiliário chinês e um aumento do nível de rigor, quanto a fiscalização e controle dos níveis de endividamento das empresas do país – principalmente do setor imobiliário;

• Problemas com a gigante do setor imobiliário Evergrand e um aumento de percepção de risco por parte dos investidores, acreditando que o calote da dívida que representa 2% do PIB do país poderia contaminar outros setores e o sistema financeiro doméstico e quiçá, global;

• Impasse quanto ao aumento do teto da dívida dos USA e a possibilidade de calote, 
caso não se chegue a uma resolução até meados deste mês;

• Impasse quanto a aprovação do projeto de lei para gastos trilionários em infraestrutura dos USA, tal como financiamento deste e aprovação de gastos para projetos sociais e mais “verdes”;

• Redução do consumo e expectativas dos consumidores;

• Variantes do coronavírus e medidas restritivas sendo reimpostas pelos governos;

• Inflação generalizada;

• Redução dos estímulos monetários/aumento dos juros dos Bancos Centrais, consequente aumento dos yields dos títulos públicos e encarecimento/aumento da taxa de desconto usado na valoração dos ativos.

Todos estes fatores acarretam numa desaceleração do PIB global, redução do otimismo de curto prazo e revisão de targets de crescimento tanto para as economias quanto para a receita das empresas. É bem verdade que as bolsas mundiais passaram por um período esticado de alta e recuperação pós o início da pandemia, com um otimismo exacerbado tomando conta dos mercados, justificado pela grande injeção de liquidez e medidas de estímulo, sendo 
esperado em algum momento um “choque de realidade” e correção de toda essa euforia.

Digo choque de realidade pois por muito tempo tem sido ignorado o fato de que a pandemia causou o fechamento definitivo de muitas empresas, o que por seguinte deixou e deixará um gap no mercado onde poderemos ver uma manutenção um pouco mais elevado dos índices de desemprego e queda de consumo e renda das famílias, já que 
houve uma perda permanente de emprego.

Assim sendo, o que estamos vendo hoje nada mais é do que uma revisão dos alvos de crescimento e expansão das atividades econômicas, que deverão vivenciar uma desaceleração e um crescimento menos robusto do que antes era esperado para um cenário de céu de brigadeiro e famosa recuperação em “V”.

Não obstante, é importante termos em mente que mesmo com a desaceleração, a visão geral é de que ainda haverá crescimento, e que muitos dos problemas enfrentados hoje – principalmente dos gargalos nas cadeias de suprimento que tem afetado tanto a inflação e oferta de bens e serviços – deverão ser solucionados até meados do ano que vem, e que assim sendo, o momento atual tem se mostrado como uma boa oportunidade de entrada em alguns ativos que do ponto de vista fundamental tem tudo para experimentar valorizações em seus preços.

A bolsa brasileira está bastante descolada quando comparada com o par americano e no momento isso nos entrega duas questões, sendo uma positiva e outra negativa:
1. Positiva: Empresas mais descontadas e maior oportunidades de valorização no longo prazo, facilitando a busca por “barganhas” e ativos locais com diferencial de preço que em muitas vezes não se justifica, quando comparado a outros pares estrangeiros.

2. Negativa: Bolsa americana em “all time high” é preocupante, pois uma correção por lá geraria também uma correção em outras praças, independente do nível de desconto que algumas já possam estar vivenciando, devido a alta correlação entre os mercados.

S&P500 vs Bolsa Brasileira de 28/02/2020 até 04/10/2021 | Refinitv Eikon

SPX x Bovespa dolarizado | Refinitv Eikon

Relação Preço/Lucro de negociação – Bovespa na esquerda e S&P500 na direita | Refinitv Eikon

Importante lembrar que a diferença e o descolamento entre a bolsa brasileira e a americana é completamente justificada principalmente por uma questão de qualidade, onde podemos encontrar ativos melhores, mais sólidos e saudáveis, mais bem preparados para enfrentar os percalços globais do que os brasileiros. A grande questão aqui é: Mas até que ponto é justificado o tamanho desse desconto? Por fim, não devemos nos esquecer de que os próximos meses/ano, deverão ser de volatilidade elevada e aumento do prêmio de risco, com questões relacionadas a precatórios, teto de gastos, inflação elevada, segurança das eleições, e a própria eleição do ano que vem, trazendo um monte de incertezas para os ativos locais. Em suma, oportunidades estão aparecendo e continuarão a aparecer, seja na renda variável ou na renda fixa, para onde quer que olhe, dá para encontrar boas oportunidades, dependendo apenas da sua disposição de risco e horizonte. Porém, não custa dizer que o cenário está bastante desafiador.

Mas como diria o ditado: “Mar calmo nunca fez bom marinheiro.”

Abraço a todos.

Relacionadas