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Opiniões

Aquele com a dica financeira para o fim de ano

No fim de ano as armadilhas provocadas pelo efeito manada tendem a ser ainda piores.

por Redação BP Money

23 de dezembro de 2021 17:09Atualizado em: 31 de maio de 2022 11:32
Aquele com a dica financeira para o fim de ano

Após assistir o episódio “Rick, O Peregrino”, da excelente série de televisão chamada This is Us, é possível que o leitor comece a refletir sobre quais tradições estão presentes em sua vida. Depois de algumas horas pensando, uma das possíveis conclusões que se pode ter é a de que várias delas são relacionadas ao período de fim de ano: a confraternização da empresa; amigos secretos dos mais variados grupos; troca de presentes entre os familiares; viagens; retrospectivas com os principais fatos do ano, etc. Em 2021, um acontecimento marcou o entretenimento e certamente estará presente nas retrospectivas: o reencontro dos protagonistas de Friends, uma das séries mais assistidas em todo o mundo. Mesmo após 17 anos do seu fim, a série continua com muitas lições financeiras atuais e uma em especial pode salvar suas finanças neste período de fim de ano.

Contextualizando brevemente, Friends é um seriado de comédia que conta a história de um grupo de seis grandes amigos, Chandler, Joey, Mônica, Phoebe, Rachel e Ross, lidando com questões naturais da vida adulta como: relacionamentos, amizades, família, trabalho e, de maneira indireta, finanças. Dentre as principais lições financeiras apresentadas no decorrer da série - e aprofundadas em diversos sites - algumas das mais citadas são: 1) alcance sua independência financeira; 2) prepare uma reserva de emergência; 3) tenha várias fontes de renda; 4) invista na sua carreira; e 5) não invista em ações sem entender sobre elas. Uma lição com menos destaque que deve ser levada à risca, principalmente no período de fim de ano e férias, é: não comprometa suas finanças para se sentir parte da “tropa”.

O episódio “Aquele com Cinco Bifes e uma Berinjela”, apresenta como uma de suas principais tramas o incômodo de Joey, Phoebe e Rachel, até então os menos afortunados do grupo, por seus outros amigos sempre estarem querendo realizar programas caros, “como se eles tivessem dinheiro para ir aqui e ali”. O principal estopim para o início de uma discussão sobre a situação financeira do grupo ocorre após os seis amigos saírem para jantar e comemorar uma promoção da Mônica. Enquanto os outros comem pratos caros, Joey, Phoebe e Rachel decidem comer apenas refeições baratas e, após Ross sugerir que a conta seja dividida igualmente pelos seis, se revoltam, acabam conversando sobre como não possuem tanto dinheiro e não podem acompanhar financeiramente seus amigos que ganham mais.

Diferentemente da atitude honesta tomada por Joey, Phoebe e Rachel, no dia a dia existem várias pessoas que comprometem suas finanças por medo de deixarem de fazer parte de um grupo ao ter “a conversa” sobre suas situações financeiras. No livro “A mente acima do dinheiro”, Brad Klontz e Ted Klontz trazem o conceito de mentalidade de tropa aplicado aos comportamentos financeiros e mostram como os seres humanos possuem um desejo natural de “ficar com a tropa” e não se sentirem para trás. Existe um conceito bastante similar utilizado na Economia que pode auxiliar a entender alguns dos perigos da mentalidade de tropa nas finanças: o efeito manada.

Foto: Reprodução / YouTube / HBO

Segundo a literatura da Psicologia Econômica, o efeito manada é um comportamento de repetição adotado pelos indivíduos, com base em decisões previamente tomadas por um grupo de pessoas, sejam elas racionais ou não. Um exemplo clássico de como esse efeito ocorre diariamente é observado na tomada de decisão de qual restaurante decidir comer: quando não se conhece suficientemente sobre duas opções, ao verificar um restaurante com uma fila grande e outro com poucas pessoas, em média, a opção escolhida é aquela que possui mais pessoas. Esse efeito também pode ser constatado quando muitas pessoas estão adquirindo uma roupa “da moda” ou comprando a mesma marca de celular e você deseja os obter, mesmo que inconscientemente, para “ficar com a tropa”.

 

No fim de ano as armadilhas provocadas pelo efeito manada tendem a ser ainda piores por conta das diversas tradições do período e da popularização das mídias sociais. Ao abrir qualquer rede social, facilmente será possível encontrar postagens com confraternizações, amigos secretos, trocas de presentes, festas, viagens, etc. Muitas pessoas acabam adotando um comportamento de efeito manada e se endividam comprando presentes acima do orçamento, participando de festas e confraternizações caras para acompanhar o ritmo dos amigos que ganham mais, adquirindo roupas que não precisavam para a “selfie da virada” e arcando com os gastos de uma viagem que não podem pagar só porque todos também estão viajando.

A principal dica para fugir das armadilhas do fim de ano ocasionadas pelo efeito manada foi dada por Joey, Phoebe e Rachel: não comprometa suas finanças para se sentir parte do grupo. Ao serem convidados para festas, amigos secretos e outras confraternizações que não podem pagar sejam sinceros consigo mesmos e com seus amigos, eles vão entender e farão o possível para conseguir opções mais em conta. Reflitam bastante sobre a compra de roupas que provavelmente só serão usadas uma noite e, caso estejam com o orçamento apertado e façam questão de viajar, busquem opções menos custosas como casas de familiares e amigos próximos. Em relação a tradição da troca de presentes, a dica é inspirada no livro “As 5 linguagens do amor” de Gary Chapman: para aquelas pessoas que possuem como principal linguagem do amor receber presentes, o valor de uma lembrança é medido pelo amor implícito, não pelo preço. Sendo pensado com carinho, qualquer presente será bem-vindo, até mesmo uma simples caneta da série favorita.

 

Pablo Coutinho é mestrando em Economia e bacharel em Ciências Econômicas pela UFBA.