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TECH & FIN

Open banking: entre obstáculos e oportunidades no Brasil

Ticiana Amorimem 19 de agosto de 2021 19:26

"Incentivar um ambiente de maior competição do sistema financeiro, melhorando os serviços e promovendo inovação e competitividade". É assim que o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, João André Calvino Marques Pereira, define os principais benefícios do open banking no Brasil.

 

Para isso acontecer, no entanto, não é tão simples assim. Antes de apresentar os obstáculos e tecer minhas críticas a forma simplista como openbanking vem sendo abordado, eu vou te dar um exemplo que vai acabar com todas as suas duvidas de como funciona o open baking na prática: os logins sociais.

Logins Sociais 

Os famosos logins através de redes sociais são a melhor tradução do que vem a ser o openbanking na prática. Muitas empresas sabem que você está cansado de dar seus dados e que muitas vezes não vai conceder a ela, inclusive, com a mesma riqueza de detalhes os dados que você já forneceu para uma determinada rede social muito utilizada como facebook.

Então, ao invés de você criar um cadastro e um login/senha novos, a empresa pergunta se você quer fazer login com sua rede social. Pra você praticidade, para a empresa acesso as suas informações através de informações que você deu a uma outra empresa.

Sim. Exatamente como no open banking.

Então uma empresa vai perguntar se pode checar as informações que eu ja concedi a outra empresa? Isso. E por que isso é tão importante?

Informação do Usuário 

Informação do usuário. Ela mesma, a rainha do século 21. Composta por seus dados, comportamento de consumo, produtos e serviços contratados ou comprados, limites, hábitos e predisposições.

A informação do usuário e do seu histórico sempre foi algo protegido a sete chaves no ambiente bancário, o que facilitava a manutenção do monopólio dos grandes bancos e, consequentemente levava à estagnação de oferta de produtos e serviços melhores.

Alta competitividade 

Sem competição os bancos sempre deixaram seus clientes horas nas filas, ofertando produtos financeiros com tarifas altissimas e, ainda assim, mais baixas do que um concorrente ofertaria se você resolvesse começar do zero com outro players.

Afinal de contas, em um país alavancado como um Brasil, em que o empréstimo é uma das maiores forças mortrizes do país, conhecer o risco associado a cada usuário é ouro.

O open banking, como um conceito, poderia ser considerado uma subespécie do conceito de inovação aberta, um termo promovido por Henrico Chesbrough. E, apesar de não ter sido criado no Brasil, cai como uma luva no nosso ecossistema pelas características de tecnologias não padronizadas, fechadas e a informação do usuário ser praticamente um segredo de estado que, nem o próprio usuário, era considerado dono das suas informações.

O poder na mão do usuário 

Mas não basta tornar os usuários capazes de conceder suas informações a outras instituições para o jogo virar. Ou melhor, não é com login social que a gente resolve o problema de churn de um produto.

Tornar algo óbvio como o usuário ser dono das suas informações como obrigatório, é, na verdade, um passo de formiga na luta da descentralização do sistema financeiro brasileiro.

Digo isso porque mesmo sendo composto por mais de 1300 instituições financeiras 88% do mercado está centralizado em 5 empresas. E obrigar elas a compartilhar as infomações de uma pessoa, com outra instituição, quando assim for solicitado é um grande passo. Mas é um passo, não uma revolução.

Desafios do Open Banking

E para que esse passo funcione existem alguns desafios:

  1. Depende de código.

E nada que depende de código é simples.

A comunicação entre as instituições financeiras participantes do openbanking acontece através de APIs padronizadas. E essas APIs são, em essência, códigos.

E códigos precisam de manutenção, dão bug e enfrentam uma série de desafios no dia a dia que não são evidenciados nos artigos e reportagens que vemos por ai.

A padronização dessa APIs também é um desafio porque sem essa padronização não há como se comunicar entre as instituições, e implementar esse padrão é algo

  1. É extremamente regulamentado

Os participantes do openbanking precisam se manter dentro dos padrões exigidos para garantir a manutenção do certificado que possuem, e, esse certificado é checado a cada requisição de dados, ou seja players menores tem menos estrutura interna e estão mais propicios a perderem, ainda que momentaneamente esse tipo de certificação.

Dando ainda assim vantagem aos participantes mais robustos, como já é no mercado.

  1. É suceptível a golpes e fraudes, como qualquer coisa.

Por mais promissor que algo seja, sempre estará suceptível a ser usado para aplicação de golpes.

E por ser um ecossistema regulamentado, é um grande desafio educar os consumidores para que não deem consentimento de dados ou informações a empresas que não são certificadas, para que não achem que faz parte do openbanking a necessidade de compartilhamento ou preenchimento de senha em ambientes diferentes dos habituais.

Ainda mais se tratando de Brasil, um mercado em que há a necessidade de ensinar como usa e ensinar a não cair em golpes e fraudes.

  1. Não vai dar resultado a curto prazo

Do jeito que esta sendo colocado o openbanking, que agora inclusive foi ampliado e já é chamado de openfinance, parece que com isso teremos a solução dos problemas de centralização do mercado financeiro. Quase como uma bala de prata.

Mas, na verdade, é uma iniciativa que irá gerar resultados significativos no médio e longo prazo. Muitos produtos irão surgir, outros irão surgir e desaparecer e com o tempo o próprio mercado brasileiro dará o tom do quão relevante será o openbanking no nosso mercado.

Que foi algo que não aconteceu na Inglaterra, por exemplo, que já tem quase 4 anos de openbanking implementado e apenas 10% da população participando.

  1. A adoção é essencial e isso muda tudo

Aproveitando esse dado sobre a inglaterra trago o maior desafio do openbanking: ainda que 100% das instituições financeiras estivessem participando o openbanking só existe se os usuários consentirem a sua participação.

Ou seja: utilidade percebida, segurança, facilidade de uso percebida, risco percebido e inumeros outros fatores sociais serão cruciais para uma adoção semelhante a que acontece na Coreia do Sul, em que mais de 20 milhões de pessoas utilizam o ecossistema de openbanking, número que representa boa parte da população economicamente ativa.

         7. "vai ser otimo ao invés de 1 gerente teremos 7 ofertando as coisas"

Por fim, mas não menos importante é necessário frisar que o modelo gerente ofertar produtos e serviços pra condicionar uma taxa caiu por terra.

Acho que já ouvi essa frase de muitos usuários preocupados com o que pode vir do open banking e confesso que no começo talvez até haja uma interpretação equivocada sobre produtos e serviços existirem para resolver necessidades reais dos clientes, afinal de contas os bancões estão acostumados a não precisar se preocupar com isso.

A guerra de taxas parece ser iminente, mas com o tempo, eles perceberão que quem vem por preço sai por preço. E o que muda o jogo é tudo aquilo que eles sempre deixaram de lado.

Sendo Realista quanto ao Open Banking

"Tici mas com esse artigo parece até que você não gosta do openbanking. Sua empresa não é especialista também em open banking?" - É. E é exatamente por isso que eu prefiro ser realista, desconstruir o muito que tem sido dito sobre as facilidades do openbanking e convidar os leitores a encarar com seriedade o grande trabalho que precisa ser feito para que o Brasil dê não apenas um passo em direção à inovação aberta, mas comece a encarar isso como realidade.

Então quando ouvirem frases como "ah agora empresas podem se tornar iniciadoras de pagamento, não necessitando de intermediadores como cartão por exemplo", ao invés de ficar deslumbrado, você vai lembrar de mim te dizendo: isso é incrível.

Mas precisa de tecnologia estável, código de qualidade, análise, inovação e disposição pra funcionar.

E se te deixei mais cético ou desconfiada com o openbanking depois desse artigo, cumpri minha missão. O céu é o limite quando falamos de inovação aberta e temos todas as quintas um encontro marcado para que eu possa ir colocando benefícios e caminhos nessa história. 

Se quiser já ver como as coisas são aplicadas na prática lá na Aarin, você pode acessar nosso site e trocar uma ideia com nossa equipe: https://aarin.com.br/

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