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Diretor-presidente da Latam no Brasil descarta venda da companhia para a Azul

São Paulo, 13 de outubro – O diretor-presidente da Latam Airlines no Brasil, Jerome Cadier, afirma que vê condições de a empresa aérea começar a sair da recuperação judicial nos Estados Unidos até dezembro, diante do apoio de credores e potenciais investidores, descartando uma eventual incorporação pela Azul.

Cadier reiterou em entrevista ao Scoop by Mover que a Latam não tem interesse em uma união com a Azul, querendo se manter independente. Ao mesmo tempo, executivos da Latam não enxergam um termo concorrencial sendo aprovado pelas autoridades regulatórias caso os credores da companhia optem por sacramentar uma união com a Azul.

“As propostas que recebemos de financiamento não consideram uma fusão com a Azul, porque o investidor sério sabe que a aprovação de uma eventual compra da Latam pela Azul” nos órgãos de defesa da concorrência em Brasil, Chile e Estados Unidos “vai demorar pelo menos um ano. Os investidores não veem um plano com a Azul como factível”, disse Cadier, que, no entanto, admite que essa decisão está nas mãos dos credores.

Maior companhia aérea da América Latina, a Latam está desde maio do ano passado no chamado Chapter XI, equivalente a um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, depois de se ver atingida pelos efeitos da pandemia de Covid-19 e uma dívida a ser reestruturada de US$18 bilhões.

Desde então, a grande dúvida é se ela sairá por conta própria do Chapter XI ou se será absorvida pela Azul ou uma outra concorrente. A companhia aérea brasileira tem demonstrado interesse pela Latam, inicialmente pela operação brasileira e recentemente pelo grupo inteiro, e já angariou os US$5 bilhões necessários para tirar a empresa da falência nos EUA, conforme apurou o Scoop neste mês.

’30 por cento’

Cadier destacou que a Latam passou por um profundo processo de reestruturação das operações, para aproveitar a retomada das viagens no período pós-pandemia e voltar a crescer. A entrada no Chapter XI permitiu a renegociação de todos os contratos com fornecedores, resultando em uma redução do custo de frota em mais de 30%, apontou.

Ele negou que os credores da Latam estejam insatisfeitos, seja pela suposta morosidade das negociações do plano de financiamento e reorganização da empresa, ou então por demandas não atendidas. “Os credores estão sendo super construtivos … estamos confiantes num desfecho positivo, porque temos várias ofertas de financiamento na mesa”, disse.

Nesta segunda-feira, a Latam divulgou proposta não vinculante de um grupo paralelo de credores representados pelo banco de investimentos Moelis e o escritório de advocacia White & Case. A companhia aérea também informou que recebeu outras propostas, sem detalhá-las.

Atualmente, a Latam tem o direito exclusivo de apresentar seu plano de reorganização aos credores até 15 de outubro, com mais 60 dias para solicitar sua aceitação. Ela já requisitou quatro vezes a extensão dos prazos e informou que, se necessário, solicitará uma nova prorrogação ao tribunal novaiorquino que cuida da recuperação judicial.

Cadier afirmou que essas extensões não significam que as negociações não estão avançando. Os adiamentos são uma demonstração de que o juiz responsável pelo caso entende que a Latam está cumprindo com suas obrigações e tem condições de chegar a um acordo final, apontou.

“Se ele achar que as conversas não estão avançando, ele pode não renovar o processo de exclusividade, permitindo que outros possam apresentar um plano”, afirmou.

Demanda melhora

Cadier afirmou que a empresa vê uma retomada robusta da demanda por viagens dentro do Brasil. Depois de fevereiro, quando o país enfrentou a segunda onda de contaminações por Covid-19, o setor apresentou uma recuperação, em que cada mês foi melhor que o outro, com dados positivos “em termos de quantidade de passageiros, recuperação de tarifas, que estão quase acima dos níveis pré-pandemia”, disse.

A pandemia resultou em uma mudança na composição de passageiros, tendo consequências sobre as operações, disse Cadier, que destaca que o segmento corporativo reduziu sua participação nos voos, o que resultou em um aumento dos passageiros de turismo.

O primeiro efeito é a redução da tarifa média, uma vez que os viajantes a passeio são mais sensíveis a preços e tendem a comprar com antecedência, enquanto o corporativo paga preços mais elevados por geralmente comprar passagens perto do dia da viagem. O segundo efeito é uma mudança na composição da malha, com mais voos para destinos turísticos e menos viagens para locais que são mais considerados de trabalho.

Já a recuperação dos voos internacionais vai ser bem mais lenta, segundo Cadier, por conta das diferentes regras sanitárias e receio dos viajantes com a pandemia pelo mundo.

“Até o final do ano que vem vamos retomar as viagens para todos os destinos, mas com menos passageiros e menor frequência. Acreditamos que no final de 2023, início de 2024, vamos voltar aos patamares pré-pandemia”, disse.


 

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