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CSN pode ter vantagem em aquisição fatiada da LafargeHolcim, dizem fontes

Machado da Costa e Ivan Ryngelblumem 7 de julho de 2021 17:50

São Paulo, 6 de julho = Uma possível saída para a venda das operações da maior cimenteira do mundo no Brasil seria uma alienação dividida, na qual a CSN ficaria na melhor posição para adquirir o grosso dos ativos sem risco de pressões antitruste intransponíveis, de acordo com duas fontes com conhecimento direto do assunto.

Para as duas fontes, que pediram anonimato para falar livremente da transação, CSN Cimentos, InterCement e Votorantim Cimentos – nessa ordem - teriam a capacidade suficiente para absorver a compra dos ativos brasileiros da cimenteira franco-suíça LafargeHolcim. Por ser a menor das três cimenteiras, a subsidiária da CSN conseguiria comprar a maior fatia da LafargeHolcim sem despertar receio dentro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão antitruste no país, disseram as fontes.

A LafargeHolcim colocou sua operação brasileira à venda em abril, como parte da estratégia de concentrar seus negócios em mercados menos voláteis. O grupo franco-suíço contratou o banco Itaú BBA para encontrar um comprador. Contudo, o valor dos ativos e possíveis concentrações de mercado podem se mostrar impeditivos para que um único agente compre a operação, que é a terceira maior do segmento no país.

Depois da compra da Elizabeth Cimentos, anunciada pela CSN Cimentos no final do mês passado, "não há mais apetite por parte da CSN Cimentos absorver toda a operação e, por outro lado, Votorantim e InterCement sofreriam restrições no Cade", disse uma das fontes. A Votorantim Cimentos tem o dobro de fatia de mercado da InterCement, que é a segunda maior cimenteira do Brasil, e tem volume de vendas equivalente ao da InterCement e da Lafarge Holcim juntas.

Nenhuma das fontes quis abrir valores ou múltiplos de uma possível aquisição da LafargeHolcim. Para a CSN Cimentos, que não está dentro das cinco maiores do setor a nível nacional, o risco de comprar fatias significativas da LafargeHolcim viria de uma superposição geográfica. A necessidade de venda de ativos menos essenciais devido a restrições concorrenciais também cria alguma apreensão dentro da CSN Cimentos, disse uma das fontes.

A saída da maior cimenteira do mundo do Brasil se dá em meio ao processo de listagem tanto da CSN Cimentos quanto da InterCement. O setor de cimento está em um ciclo de recuperação que se iniciou em 2018 e deve continuar nos próximos anos. Estimativas da consultoria Brain, usadas pela CSN Cimentos no seu prospecto para a oferta inicial de ações, projetam um crescimento no consumo de cimento no Brasil de até 7,3% anual entre 2020 e 2025.

O interesse da Votorantim Cimentos e da InterCement, assim como o da Cimentos Mizu, aliado à valorização generalizada de commodities e a forte recuperação do setor nos últimos anos, podem elevar o preço dos ativos e dificultar a absorção da LafargeHolcim pela CSN Cimentos. Isso poderia, segundo uma terceira fonte, acelerar o desmembramento dos ativos para concretizar a venda. O jornal Valor Econômico mencionou a Mizu como potencial interessada na LafargeHolcim Brasil em reportagem nesta semana.

Os sinais de retomada do setor de construção após os efeitos da pandemia têm aumentado em semanas recentes. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, as vendas de cimento entre janeiro e maio subiram 19,3% na base anual, puxadas por obras imobiliárias e as reformas residenciais e comerciais, com o mercado imobiliário vivendo o melhor momento desde 2014.

FATOR DE INSEGURANÇA
 A LafargeHolcim possui, no Brasil, dez unidades industriais, além de centros de distribuição e terminais em nove estados, empregando 1,4 mil pessoas. Quando for concretizada, esta será a segunda saída de uma cimenteira do Brasil em menos de um ano. No fim de 2020, a irlandesa CRH vendeu suas operações para a Companhia Nacional do Cimento, por US$218 milhões.

Procurada, a CSN não respondeu aos pedidos de comentário do Scoop até o momento, assim como a LafargeHolcim. A InterCement informou que está em período de silêncio por conta do processo de listagem. Em nota, a Votorantim Cimentos informou que não fez nenhuma oferta pelos ativos da LafargeHolcim no Brasil, mas que a empresa "segue acompanhando as movimentações e oportunidades do mercado."
Em entrevista ao jornal Valor no fim de junho, o diretor-presidente global da Votorantim Cimentos, Marcelo Castelli, informou que a companhia está avaliando apenas alguns ativos da LafargeHolcim por conta de "limitações concorrenciais".
O principal fator de insegurança é o processo que gerou uma multa de R$3,1 bilhões no Cade, em 2014. O órgão condenou seis empresas, seis executivos, além de três associações por formação de cartel na produção e comercialização de cimento e concreto. Holcim, que ainda não havia se fundido à Lafarge, assim como InterCement e Votorantim Cimentos foram condenadas no processo, além de Cimpor, Itabira e Itambé.
A proposta de fatiamento que está sendo estudada tem precedentes. No ano passado, a Petrobras vendeu a Liquigás para um consórcio composto por Copagaz, Itaúsa, Nacional e Fogás, por R$4 bilhões. Nesse caso, a Copagaz se tornou a controladora da Liquigás, em conjunto com a Itaúsa, com a Nacional e a Fogás participando do negócio como maneira de solucionar preocupações concorrenciais em alguns Estados.
Para Ademir Pereira, advogado especialista em concorrência do escritório Advocacia Del Chiaro, o caso da Liquigás mostra que o Cade poderia aceitar uma proposta do tipo, mas destacou que o histórico concorrencial do setor vai trazer um escrutínio extra ao processo. "Um agente que faz a compra, sabe que tem problemas concorrenciais e traz formas para remediar é positivo", disse. "Mas depende de como vai se configurar. Se os principais agentes estiverem unidos, aí vai gerar preocupações." (MDC+IR/GPB+KS)

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