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Queda das commodities melhoram projeções de PIB

Depois de um crescimento de 1% no 1º trimestre de 2022, o sentimento dos economistas apresentou um leve otimismo

Khalil de Lima

por Khalil de Lima

22 de julho de 2022 15:50Atualizado em: 22 de julho de 2022 16:07
Queda das commodities melhoram projeções de PIB

Queda do preço commodities é o grande destaque no mês refletem uma melhora das projeções de crescimento de PIB em 2022

Depois de um crescimento de 1% no 1º trimestre de 2022, o sentimento dos economistas apresentou um leve otimismo com os dados econômicos que sugerem um mercado de trabalho em plena recuperação. Consequentemente, as projeções de crescimento de PIB para 2022 foram revisadas em alguns bancos de 1,5% para 1,9%.

No entanto, ainda existem incertezas para o cenário de inflação, uma vez que a forte recuperação do mercado de trabalho, em conjunto de novos estímulos fiscais, contribuindo para riscos altistas de inflação. Porém no curto prazo existem uma possibilidade de desaceleração acentuada na inflação para o fim do ano à depender dos efeitos da redução de impostos sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações.

No ambiente de mercado de capitais, essas percepções foram responsáveis pela variação de preços em alguns setores que se beneficiam de um cenário de preço de commodities mais baixo, bem como de redução na inflação.
Food andBeverage.

Com a expectativa de uma queda ainda maior no preço das comodities, derivada de uma expectativa de produção maior no Brasil, nos Estados Unidos e assinatura do tratado que autoriza a Ucrânia a voltar exportar os grãos para o mercado mundial, os investidores passaram a olhar ações de empresas que se beneficiam de preços menores, uma vez que estes insumos se configuram como o principal centro de custos em suas operações.


 

 

Com essas informações em mente, os preços de BRF, que se beneficial diretamente da queda do preço do milho e da soja, Ambev, que se beneficia diretamente da queda do preço do milho e do alumínio, e M. Dias que se beneficia diretamente da queda do preço do trigo e do óleo de palma, apresentaram uma variação de preço muito superior ao índice ibovespa. Em contrapartida, as empresas produtoras de grãos ou de produtos derivados dos mesmos, acabaram por ter uma performance negativas nos últimos 30 dias, dado que a queda no preço dos grãos irá afetar diretamente a receita dessas empresas.

Outro setor que acaba se beneficiando de um ambiente inflacionário menor, é o setor de vestuário. Ainda que não seja um consenso na cabeça dos investidores, o setor começa ficar atrativo também por uma visibilidade de resultados muito maior atualmente em relação ao começo do ano, quando o fluxo nas lojas estava menor ao período pré pandêmico, com tickets, em termos reais, menor também. Porém com uma expectativa de resultados por vir apresentando um número forte de crescimento de vendas em relação ao período pré pandêmico, o setor como um todo começou a andar na bolsa.

Por fim, um outro setor que continua largado na Bolsa, e que ainda demonstra sinais de continuar sem interesse por parte dos investidores é o setor de Homebuilders. No valuation atual, algumas empresas estão negociando abaixo do seu valor patrimonial, similar ao que aconteceu na crise do setor durante o mandato da Dilma. E a motivo para similar comportamento no preço das incorporadoras nos dias de hoje é simples, durante o período pré pandêmico, como o custo para se construir aumentou muito, tanto do lado de insumos, como do lado de mão de obra, e para o consumidor, a taxa de financiamento de imobiliário mudou de 7% para 10% em alguns bancos. Esse misto de aumento de custos com aumento nas parcelas de financiamento continua preocupando investidores sobre as perspectivas de repassar custos, sem diminuir vendas e evitando se sobre estocar em unidades prontas, para não reduzir substancialmente o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa.

Khalil de Lima

Khalil de Lima

Analista de ações na Reach CapitalAnalista de ações na Reach Capital