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Gabriel Rios

CBF e seu novo projeto: as criptomoedas

Gabriel Riosem 12 de agosto de 2021 17:00

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está entrando no mundo das criptomoedas. No último dia 27 de julho a entidade lançou o token Brazilian Football Team (BFT), projeto realizado pela Bitci Teknoloji, mas mais para frente falo sobre ela. O detalhe é para o lançamento que se esgotou em apenas meia hora, gerando uma arrecadação de cerca de R$ 90 milhões, entrando para a história como a maior do mundo envolvendo tokens de torcedor. 

Cada token foi vendido a 0,50 euros para 13 mil diferentes investidores. Vale salientar que até o momento houve apenas uma pré-venda das moedas. Porém, de acordo com a CBF, será anunciada, em breve, a data de abertura da próxima rodada, em que os tokens já vendidos serão disponibilizados para compra e venda nas plataformas oficiais.

Ainda segundo a entidade, os tokens servirão para comprar NFTs da Seleção Brasileira e seus jogadores, tanto para os elencos masculino e feminino, assim como os times Sub-20, Sub-17 e Sub-15.

A exemplo da CBF, outros grupos esportivos também possuem parceria com a Bitci, casos da seleção espanhola de futebol, a seleção turca de basquete, os clubes Glasgow Rangers, Real Betis e Wolverhampton, além da McLaren Racing, da Fórmula 1.

PARCEIRA
A Bitci Technology, fundada em Bodrum com o objetivo de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de blockchain, atua no setor desde 2018. De acordo com a CBF em seu site, a Bitci.com é uma das casas de câmbio criptográficas mais avançadas do mundo, criadora do Bitcichain, o primeiro blockchain da Turquia integrado ao mercado de ações e sistema de pagamento.

DÁ PARA CONFIAR?
Primeiro que tudo que vier da CBF é bom ter um pé atrás, visto que o passado condena a entidade. Se olharmos para os últimos quatro presidentes, três tiveram mandatos interrompidos, com um sendo, inclusive, preso. O recém-afastamento do até então atual presidente, Rogério Caboclo, foi apenas mais um. 

Caboclo deixou o cargo em meio a denúncias de assédio contra uma funcionária. Mas começando pelo primeiro, chegamos a Ricardo Teixeira, que renunciou em 2012 após problemas de saúde e investigações de irregularidades e superfaturamentos, denúncias que sempre negou. Fato é que o dirigente foi banido do futebol pela Fifa, após o comitê de ética da entidade constatar o recebimento de propina.

O único que realmente conseguiu concluir o tempo regular de seu mandato foi José Maria Marin. O problema? É que o mesmo acabou sendo preso em seguida,  junto a outros seis dirigentes, em operação do FBI em conjunto com autoridades locais na Suíça, em maio de 2015, quando já não era mais presidente da CBF.

O seu sucessor foi Marco Polo Del Nero. O ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) foi mais um a deixar o cargo antes do previsto em meio a acusações. Foi afastado no final de 2017, sob denúncias de corrupção da Justiça norte-americana. Considerado culpado pelo comitê de ética da Fifa, acabou sendo banido pela principal entidade do futebol por suborno, corrupção e outras infrações.

Nada contra a CBF criar sua criptomoeada. Mas há de se concordar que é um mercado volátil. Não existe nenhuma garantia de valor de mercado, ou sequer nenhuma entidade que seja capaz de sustentar a cotação do ativo no mercado internacional. O que acontece é que se eu digo que "aquela" criptomoeda vale x e passo a vender por esse valor, você pode aceitar e correr o risco. Vale salientar que a CBF deu apenas informações envolvendo um token para fãs e a possível aquisição de NFTs, e mais nada. Além disso, não existe nenhum dado que realmente comprove a aquisição dos tokens.

Quanto a legislação, o bitcoin não tem regulamentação específica no país, mas não é ilegal. Brasileiros podem possuir e negociar criptomoedas no mercado e devem, inclusive, declarar ganhos com o investimento dependendo do valor mensal movimentado. 

Apesar de ser chamado de moeda digital e poder ser trocado por mercadoria em alguns estabelecimentos, o bitcoin não é considerado, juridicamente, uma moeda no Brasil. O ativo também não faz parte do Sistema Brasileiro de Pagamentos nem se enquadra na definição de arranjos de pagamento do Banco Central. 

O que nos resta é aguardar os próximos capítulos. Eu não acreditaria, ainda mais vindo da CBF. Ninguém pode garantir que esse BFT Token não seja mais uma das invenções da entidade para ganhar muito dinheiro. Será que os compradores terão os retornos que a CBF garante? 

Sabe Deus...

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