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Direto ao Ponto

Modelo Clube-Empresa: O que é e o que muda a partir de agora para o futebol brasileiro

Valentina Reisem 19 de julho de 2021 9:42

Está em discussão em Brasília a adoção do modelo "clube-empresa" para os times de futebol brasileiros. O Projeto de Lei 5082/16 foi aprovado em junho na Câmara e agora aguarda o parecer do Senado; após, segue para a aprovação do presidente Jair Bolsonaro. 

 

Atualmente, os clubes funcionam como associações civis sem fins lucrativos, mas com a aprovação do PL, os clubes que desejarem poderão criar um modelo de Sociedade Anônima exclusiva para o esporte.

 

O texto pretende profissionalizar o futebol: visa regras específicas de constituição, capitalização, transparência e governança essenciais para um modelo de caráter empresarial. Além disso, cria condições para o desafogamento financeiro dos clubes e aprimora o ecossistema do futebol brasileiro, atraindo assim sócios estratégicos, como grandes patrocinadores.

 

As empresas querem patrocinar a atividade, mas possuem restrições de investimento em associações sem finalidade lucrativa. Vale destacar que o investidor ou patrocinador tende a confiar mais em uma empresa que possui estrutura sólida de governança, compliance e organização. Portanto, o projeto possibilita a aproximação do futebol com aqueles que desejam investir no esporte.

 

Na prática, o texto de autoria do senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG) permite que os clubes do país possam captar recursos através de fundos de investimento, emissão de títulos de dívida, debêntures e até mesmo oferta de ações na bolsa de valores, sem contar outros benefícios fiscais.

 

O que muda com a gestão profissional:

 

O dirigente será uma espécie de CEO, o que confere ao clube muito mais profissionalismo, controle e exigência de resultados, alinhando o planejamento estratégico e financeiro a fim de produzir ganhos dentro e fora do campo. Além disso, com a transformação de uma organização sem fins lucrativos para o modelo clube-empresa, há o aumento de receita e, consequentemente, a possível distribuição de dividendos e aumento de valor patrimonial das ações, o que é positivo para o acionista.

 

A cotação das ações do time estão intimamente associadas ao desempenho esportivo da equipe; logo, uma gestão estruturada e de alto nível, junto a um grupo de treinadores, nutricionistas e educadores físicos de ponta conferem ao clube uma disputa bem melhor nos campeonatos.

 

O que muda para o futebol dentro do campo:

 

Hoje em dia, por conta do aperto de liquidez, os clubes acabam se desfazendo das suas principais promessas muito cedo - às vezes com 16 ou 17 anos - vendendo-os para o exterior, pois não possuem caixa para mantê-los aqui. A partir do momento em que há mais liquidez no caixa e as receitas crescem, não há mais necessidade de vender os atletas ainda tão jovens. Com a entrada das companhias, esses jogadores ficam mais tempo no time, produzem mais resultado e saem com um preço de mercado muito mais alto do que quando eram apenas apostas.

 

Por que a mudança é tão importante para o futebol brasileiro?

 

Dados do IBGE de 2020 indicam que 371.354 empregos diretos e indiretos são ocasionados pelo futebol e que o esporte corresponde a 0,2% do PIB brasileiro. 

 

“Para além de ser um dos mais importantes fenômenos culturais e sociais deste país, o futebol revelou-se atividade econômica de grande relevância nacional: os principais clubes geram bilhões de reais em faturamento, empregam milhares de pessoas (direta e indiretamente) e movimentam verdadeiras indústrias de bens de consumo e prestação de serviços”, disse o senador Rodrigo Pacheco.

 

O modelo irá agregar muito mais do que puro e simples dinheiro ao esporte: confere aos times profissionalização, estrutura organizacional sólida, lucrativa e eficaz e dá segurança aos investidores e aqueles que estão expondo marcas. A mudança diz respeito não mais ao futuro, e sim ao presente; a adoção do modelo clube-empresa é fundamental para acompanhar o futebol moderno.


 

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