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Arte, Cultura & Money

De fotógrafo a DJ, as artes de Fabrízio Pepe

Mariana Puonzo e Mateus Almeidaem 1 de maio de 2021 11:04

Em mais uma manobra para levar o melhor do empreendedorismo até você, a BP Money lança a coluna Arte, Cultura & Money. Nesse novo projeto, artistas de todos os gêneros e setores serão reunidos para explicar o início de suas carreiras e a importância do conhecimento financeiro para trilhar um caminho de sucesso. A cada sábado uma nova personalidade irá dividir os ensinamentos e lições aprendidas para incentivar nossos leitores a saírem da zona de conforto.

O primeiro entrevistado é o fotógrafo, cenógrafo, DJ e artesão, Fabrízio Pepe Minghini, que falou um pouco sobre sua trajetória na fotografia e explicou como a arte e cultura podem se tornar uma fonte de renda real, baseada na criatividade e diversificação no mercado.

Confira a entrevista na íntegra:

Quem é Fabrízio Pepe e quais são suas relações com a arte?

Eu tenho 32 anos, sou formado em publicidade e propaganda pela Universidade Belas Artes de São Paulo e estou há 9 anos no mercado de música eletrônica como fotógrafo, além de atuar há 4 anos com cenografia também. Hoje em dia, trabalho com direção de arte, artes plásticas, grafite e sou DJ e produtor de música eletrônica.  

Quando teve o primeiro contato com a fotografia?

Meu primeiro contato com filmagem foi entre meus 17 e 18 anos, quando ganhei uma câmera dos meus pais. Não digo que foi diretamente com a fotografia porque optei em pegar uma câmera de vídeo, não de foto, já que o objetivo era filmar alguns passeios de ‘bike’. 

Depois disso, eu só fui adquirir minha primeira câmera de fotos quando estava na faculdade, com uns 22 anos. Ela era analógica e comprei do tio de uma amiga minha. Passei um tempo fotografando apenas com essa, até que fui fazer um curso do Peixe Urbano para aprender a mexer em alguns funções e o professor me disse que não havia sentido assistir as aulas sem uma máquina digital. Nessa época meus pais estavam sem dinheiro, eu era estagiário, ganhava R$ 500 por mês, mas por sorte uma amiga minha estava vendendo a dela e consegui fazer com que ela dividisse o valor para mim.

Quais foram as resistências iniciais nesse meio de trabalho e como as superou?

Acho que algumas das principais resistências iniciais são, principalmente, a compra de equipamento, porque o equipamento é muito caro no Brasil, demorei muito para ter um equipamento de qualidade, e precificação, pois era um mercado que não se pagava quase nada. Com isso, foi mais difícil conseguir começar a ganhar realmente algum dinheiro. 

Porém, com qualidade de trabalho, entrega rápida e  sempre pontual com o que eu queria entregar para os clientes que eu estava fazendo o trabalho de graça, fui ganhando confiança deles para conseguir cobrar e superar essa barreira.

Para você, a arte e cultura podem ser efetivamente lucrativas?

Eu acho que quem investe nesse setor pode tem um bom retorno lucrativo, mas para o artista, acredito que não tanto. Os produtores poderiam ser um pouco mais valorizados, até serem pagos com um valor mais justo como vemos fora do país, principalmente na Europa. É perceptível a valorização de um artista de lá, independente da arte que ele faça ou do setor que for, a arte é mais valorizada.

Qual foi a virada de página na sua vida de fotógrafo?

A virada de página como fotógrafo veio com a criação da minha primeira produtora, a Image Dealers, que foi fundada porque na época eu não conseguia mais suprir a demanda que eu estava tendo do mercado. Após isso, fui atrás de outras pessoas que tivessem uma linguagem próxima a minha para trabalharem comigo.

Com a Image, fotografamos quase todos os festivais grandes do país na cena eletrônica, capturando momentos de artistas nacionais e internacionais. Apesar de ter sido fundamental na minha carreira, encerramos a empresa há três anos.

Como você se reinventou durante a pandemia?

Durante a pandemia posso dizer que criei mais alguns braços. No começo, trabalhei muito com artesanato, grafite, cristais de energia, fazia colar e manuseava muita coisa de resina. Isso me ajudou muito no início desse período. Já na parte de fotografia, eu abri meu leque. Já havia trabalhado na editora Escala, fui dois anos e meio produtor de coordenação e imagem, e lá fotografei de tudo, algo que tinha parado de fazer nos dias atuais por já estar saturado. Porém, na quarentena voltei a fotografar comida, produto, enfim, o que aparecia a gente fazia para não ficar parado.

Também durante a quarentena, na necessidade de ouvir música eletrônica e estar mais presente em um cenário que não estava ‘existindo’, eu fui mexendo em algumas coisas aqui na minha casa. Hoje eu tenho um controlador, meus itens de cenografia, tenho até um palquinho onde eu faço lives e me desestresso, o que está virando uma forma de trabalho em meio ao cenário de pandemia. 

Toquei em alguns barzinhos quando estavam abertos e tem mais ideias para serem postas em prática, quando a a situação se normalizar. 

Onde busca a inspiração necessária para criar o seu trabalho como fotógrafo, artesão e DJ?

Sou muito da filosofia do faça você mesmo. Eu gosto muito de fazer e planejar minhas coisas, porque tenho uma dificuldade extrema de expressar para quem trabalha comigo exatamente a minha ideia. Por exemplo, na cenografia, na parte do artesanato, tem muitas coisas que eu penso na minha cabeça e eu tenho que pôr a mão na massa, aí é quando flui realmente. Acredito que a minha inspiração é sempre conseguir extrair o que estou imaginando e pôr isso a prova. Eu busco referência em todos os setores, muito mais fora da música eletrônica inclusive, estou ligado em várias vertentes como moda, esportes, etc. Costumo falar para quem está ao meu lado que referência é tudo. 

O empreendedorismo criativo é evidente em seu histórico profissional, desde o seu projeto ‘Time Travelers’, que envolve fotografia, cenografia e direção de arte, até o seu novo projeto de DJ. Como você entende o empreendedorismo criativo e qual é a importância dele na sua vida?

Eu acho que o empreendedorismo criativo é totalmente necessário para as pessoas, elas deveriam entender mais sobre ele, inclusive eu mesmo, porque para mim é algo muito orgânico. Hoje eu sei que tenho diversos ‘Fabrízios’ dentro de mim, tem o Fabrízio amigo, o Pepe, que é fotógrafo do Vintage Culture, cenógrafo, tenho a Time Travelers, que é minha empresa de cenografia, tenho o Meriva, que é meu projeto de DJ, e tenho o Pepe Moustart, que é minha empresa de artesanato.

Por isso, acho que é importante as pessoas entenderem que não precisam se limitar a uma única coisa. Quanto menos você se limita, mais fácil você acha soluções para alguns problemas. Na quarentena, se eu tivesse me limitado a ficar na fotografia, eu não estaria fazendo artesanato, não teria aprimorado minha cenografia, não estaria tocando, não estaria produzindo música eletrônica, entre outras coisas.

Onde Fabrízio se vê daqui há 5 anos?

Daqui há cinco anos eu espero estar desenhando um festival ou pelo menos encabeçando desenhos de festival. Nesse festival, poder fotografar e tocar. Acho que essa é a meta.

 

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