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Investimentos em Fiagros requerem cuidado

Segundo a Anbima, investidores individuais foram responsáveis por quase 96% do total ofertado ao mercado nos três primeiros meses deste ano (R$ 1,88 bilhão)

André Ito

por André Ito

16 de maio de 2022 12:00Atualizado em: 16 de maio de 2022 12:34
Investimentos em Fiagros requerem cuidado

Com a alta da Selic e a alta volatilidade do mercado acionário, onde o Ibovespa praticamente zerou os ganhos do ano, os investidores têm buscado alternativas que tragam retorno e exibam menores riscos. Neste movimento chamam a atenção o crescimento dos fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais, os Fiagros. Segundo dados da Anbima, os investidores individuais foram responsáveis por quase 96% do total ofertado ao mercado nos três primeiros meses deste ano (R$ 1,88 bilhão).  

Autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)em agosto do ano passado, osFiagros exibem características que os tornam atrativos às pessoas físicas como a isenção do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos. Isso já acontece com os Fundos Imobiliários (FIIs), porém, ao contrário dos FIIs, os Fiagros tendem a ser menos voláteis, por estarem ligados ao agronegócio, importante segmento econômico brasileiro.

Em um cenário, como o atual, em que a alta da inflação e, por consequência dos juros,  é natural que o investidor se volte para a renda fixa. No caso dos Fiagros, há a constância dos pagamentos e a pujança do agronegócio, que reduzem o risco do investidor. Ao mesmo tempo,tais fundosgarante um fluxo de caixa, principalmente para os investidores que visam o longo prazo e miram dividendos. 

Mas, antes de tomar a decisão sobre onde e quanto investir, é preciso entender seu perfil do investimento. Os Fiagros são investimentos de longo prazo e, portanto, não devem ser adquiridos por investidores que pensam em sair da operação, mesmo que isso seja possível via mercado secundário. A parcela da carteira destinada a esse tipo de investimento deve ser composta por recursos que não fazem parte da reserva de emergência. 

Outro cuidado a ser tomado é analisar o tipo de fundo que se está investindo, pois osFiagros podem ter diversos formatos. Atualmente, a maioria dos fundos lançados no mercado até o momento são do tipo imobiliário, cuja dinâmica de investimento é muito parecida com a dos FIIs. Já existem no mercado outros focados em direitos creditórios (CRAs). E há ainda outra categoria nos termos da Instrução CVM 578, de Participações.

Por último, o investidor deve ter em mente que risco do investimento está relacionado ao crédito dos emissores das dívidas que são compradas pelo fundo e pode ser minimizado através de uma política austera de pulverização.

Leia também: Investimentos em renda fixa no Brasil chegam a R$ 1,182 trilhão

Portanto, na hora de investir, a maior preocupação deve ser em relação ao gestor. Este profissional tem de ter capacidade de pulverizar o investimento, de fazer uma cobertura de garantia, e em algum evento de inadimplência que ocorra, fazer uma cobrança ativa e uma boa recuperação do valor investido. Isso para que o investidor possa extrair o melhor desse segmento. 

André Ito

André Ito

Sócio da MAV Capital